Impactos da escassez da água no século XXI

Enviada em 26/08/2021

De acordo com John Locke, filósofo inglês, o Estado deve, por meio de um contrato social, garantir à sociedade os direitos básicos, como a vida e bem-estar social. No entanto, quando se observa a questão da escassez de água, percebe-se que a ideia de Locke não é colocada em prática, tendo em vista que há um descaso estatal em relação ao despedício de recursos hídricos e, também, há o consumo excessivo por parte da população. Assim, faz-se imprescindível não só uma análise das causas, como também das possíveis soluções para o impasse.

A princípio, segundo Norberto Bobbio, filósofo italiano, a dignidade é uma virtude pertencente ao ser humano, e, por isso, o direito ao respeito e a consideração lhe é cabível por parte do Estado. Entretanto, há um desrespeito com relação ao esperdício, visto que o Brasil, por exemplo, tem 38,45% de perda de água potável no sistema de distribuição, de acordo com estudo realizado pelo Instituto Trata Brasil, isso faz com que, segundo o IBGE, 31,1 milhões de brasileiros não tenham acesso a água fornecida por meio da rede geral de abastecimento. Desse modo, é inadmissível que esta situação perdure.

Além disso, vale salientar que o consumo hídrico médio brasileiro é de 166,3 litros por habitante a cada dia, 51% acima do recomendado pela ONU, que é de 110 litros. A agricultura está no topo, como o setor da economia em que mais se consome, segundo a Agência Nacional de Águas (ANA), sendo responsável por 72% do consumo no Brasil. Ainda que medidas sejam necessárias, é preciso lembrar que o agronegócio é responsável por 30% do PIB brasileiro, assim a situação se torna ainda mais delicada.

Logo, medidas são necessárias para resolver essa problemática. O Governo Federal deve, através de parcerias público-privadas, trabalhar com a iniciativa privada na construção, manutenção e gerenciamento de redes de abastecimento, assim fornecendo um melhor serviço e evitando a perda de água encanada. Além disso, o Estado deve, por meio de propagandas, conscientizar a população brasileira sobre o consumo excessivo, salientando-os sobre hábitos para economizar os recursos hídricos, assim reduzindo o consumo médio por habitante. Espera-se, com estas ações, que a ideia de Locke possa ser concretizada na sociedade.