Impactos da escassez da água no século XXI

Enviada em 26/08/2021

O autor Graciliano Ramos, em sua obra “Vidas Secas”, aponta a luta pela sobrevivência humana em obter um bem universal: a água. Em sua obra, é retratado Fabiano e sua família diante da escassez desse recurso hídrico no grande sertão nordestino. Contudo, na contemporaneidade é possível notar que essa problemática aflinge ainda a sociedade atual, uma vez que os impactos da escassez de água no século XXI são motivadas pela ineficiência do Estado, no que tange a garantia do saneamento básico e o uso desmedido da água. Portanto, medidas devem ser tomadas para solucionar esse impasse.

Em primeira análise, é válido destacar que a ineficiência do Estado se torna uma barreita no que diz respeito a garantia do saneamento básico. Segundo o escritor Gilberto Dimenstein, em sua obra " O Cidadão de Papel", apesar da Constituição Federal assegurar os direitos de todos os indivíduos de maneira igualitária, nota-se que essa prerrogativa não se faz presente, ocasionando uma falsa sensação de cidadania. Através dessa perspectiva, fica evidente que a ausência de investimentos governamentais em saneamento básico e a não garantia desse recurso em diversas regiões brasileiras, evidencia o mau processamento da água  e o seu despejo inadequado, tornando assim, a sociedade, meros “cidadão de papel”.

Ademais, vale destacar que o uso desresgrado da água é um agravande diante dessa problemática. Na obra de Graciliano, a grande miséria pela falta de água, é aliada a exploração dos ricos proprietários da região. De forma análoga, essa exploração ainda se faz presente, seja no o setor agrário ou industrial. Segundo dados do Ministério do Meio Ambiente, a indústria e o setor agrário corresponde a cerca de 88% do consumo de água no mundo.  Análoga a primeira lei de Newton, nota-se uma inércia estatal no país.  Isso se comprova pelo Estado, que não promove políticas de otimização desse recurso hídrico, uma vez que diversas empresas ultilizam esse recurso de maneira inadequada e sem fiscalizações.

Em síntese, compete ao Estado, juntamente com a ETE (Estação de Tratamento de Esgoto), realizarem o tratamento das águas de esgoto a fim de que sejam reutilizadas de maneira sustentável pelas indústrias, reduzindo assim, o consudo exacerbado da mesma. Além disso, cabe ao Ministério da Cidadania, por meio de verbas governamentais, promover a instalação de postos de coleta de lixo e esgoto em todos os bairros, garantindo assim os direitos básicos de cada indivíduo. Desse modo, o termo “cidadão de papel” não seria mais uma realidade da sociedade atual.