Impactos da escassez da água no século XXI
Enviada em 26/08/2021
A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê os direitos básicos, tendo como exemplo a água e a alimentação, como inerente a todo cidadão brasileiro. No entanto, observa-se exatamente o contrário quanto à questão da escassez de água no século XXI - visto que os direitos constitucionais estão ameaçados. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema com múltiplos impactos, em virtude dos interesses financeiros e da negligência governamental.
Sob esse viés, cabe ressaltar que a priorização do capital é uma das principais causas da escassez da água no Brasil. Essa compreensão dialoga com o pensamento de Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, uma vez que afirma que os valores da sociedade estão sendo colonizados pela lógica do mercado. Assim, percebe-se o mesmo pensamento instaurado na questão da crise hídrica brasileira, visto que 70% de toda a água consumida no mundo é utilizada no agronegócio (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura), impedindo que, por exemplo, as ações contra o desperdício de água da população vigorem, contribuindo, então, para a manutenção do gasto exacerbado dela. Logo, são necessárias medidas para amenizar esse cenário maléfico.
Ademais, é imprescindível pontuar a ausência de políticas públicas como impulsionadora do problema. Para Aristóteles, filósofo grego, a política tem como função garantir o bem-estar social. Dessa forma, tal constatação é contrariada no dilema da escassez da água brasileira, já que o governo, que deveria garantir o direito de todos, ignora ações, como a criação de projetos que invistam no aproveitamento da água e na fiscalização das indústrias que poderiam, potencialmente, reduzir a escassez brasileira do século XXI. Desse modo, é urgente que o papel do Estado - de que o pensador falou - seja efetuado.
São necessárias, portanto, medidas suficientemente efetivas para reduzir a escassez de água e seus impactos no século XXI. Posto isso, cabe ao Poder Público criar projetos de controle e de fiscalização das indústrias, por meio de verbas governamentais, a fim de reverter os impactos gerados pela iniciativa privada. Tal ação pode, ainda, ser divulgada na mídia de massa para que mais pessoas tomem conhecimento da importância de preservar o meio ambiente. Dessa maneira, o Brasil poderá usufruir de seus direitos básicos, como defende a Constituição.