Impactos da escassez da água no século XXI

Enviada em 28/08/2021

Vidas Secas, obra de Graciliano Ramos, retrata a sobrevivência do protagonista Fabiano e sua família no sertão nordestino diante da escassez de água na região. Ademais, o autor expõe as desigualdades sociais e problemas gerados pela intensa seca. Entretanto, mesmo após quase um século da publicação da obra,  a escassez de água ainda retrata uma terrível realidade no atual século. Em uma sociedade cada vez mais consumista, problemas como a escassez hidráulica ficam mais visíveis para toda a sociedade. Visto que a maior parte do consumo de água do país é de responsabilidade da agricultura brasileira, além de seu desperdício que cria novos problemas à população.

Previamente, vale ressaltar que a preservação da água é de responsabilidade de agentes econômicos, como agricultores, visto que são os maiores consumidores. Segundo a Agência Nacional de Águas (ANA), a cada 100 litros de água consumidos, 72 são utilizados na irrigação agrícola. Ademais, há desperdício nessa área, como perdas por evaporação ou pelo excesso de água jogada nas plantas e, desse modo, caso medidas não sejam tomadas, o país pode viver uma crise hídrica, como a ocorrida no Distrito Federal em 2016 que perdura até o presente. A sociedade brasileira foi reorganizada por uma visão consumista afim de obter-se alguma felicidade, se mostrando necessária a criação de novas formas de sustentabilidade.

Além disso, devido a esse consumo excessivo de água, o contexto de exploração humana em Vidas Secas torna-se atemporal. Na obra, a miséria causada pela falta de água, soma-se à miséria imposta pela influência social representada pela exploração dos ricos proprietários da região. Analogamente, na atualidade, essa exploração se expressa na indústria da seca. Esse termo remonta ao clientelismo, já que elites regionais manipulam a distribuição de água de acordo com o seu interesse político, comum no Nordeste. Dessa forma, a escassez hídrica em determinadas regiões negligenciadas no Brasil afeta socialmente a população.

Infere-se, portanto, que mudanças são necessárias para que a economia de água seja efetivada. Os produtores agrícolas devem, então, investir em novas técnicas de irrigação, a fim de que se evite desperdício. Cabe ao Poder Público a criação de um programa de selos de eficiência hídrica para descargas, chuveiros e torneiras para que os cidadãos optem por produtos mais econômicos. Ademais, é de responsabilidade do Governo Federal, estimular a economia desse recurso. Para tanto, deve-se implantar a água de reuso nas indústrias e residências. Isso deve ser feito por meio de parcerias do Ministério do Meio Ambiente e das Secretarias Municipais para a construção de obras de infraestrutura para a aplicabilidade da água de reuso, imprópria para consumo mas que pode ser tratada.