Impactos da escassez da água no século XXI
Enviada em 27/08/2021
A Constituição de 1988 reconhece como direitos sociais a moradia, a alimentação, a saúde, a educação, entre outros. Em 2016, uma PEC - Proposta de Emenda Constitucional - foi apresentada ao governo, com o intuito de incluir a água nesses direitos, vista sua essencial relação com o desenvolvimento inclusivo da população. Contudo, mesmo com essa importante discussão, nem todos podem gozar desse recurso, sendo prejudicadas tanto sanitariamente, quanto socialmente. Nesse sentido, os impactos da escassez de água no Brasil devem ser firmemente combatidos, haja vista o grande quantitativo de pessoas afetadas e o enorme desemprego provocado pela falta desse recurso. Nessa conjuntura, é importante destacar a quantidade alarmante de pessoas afetadas pela falta de água para consumo no país. Dados do SNIS - Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento - revelam que 16% da população, cerca de 35 milhões de pessoas, não possui acesso à água tratada em suas residências. Esse número é consequência, entre outros fatores, da falta de saneamento básico e da má distriuição dos recursos hídricos em algumas áreas, que faz com que as populações de regiões periféricas sejam vítimas de um atraso social em relação aos centros urbanos, por não terem acesso a um bem básico e que é deveria estar disponível a todos.
Ademais, outro impacto provocado é o grande número de desempregados deixado por uma crise hídrica. Na crise de 2015, por exemplo, que afetou drasticamente a cidade de São Paulo, dados da Associação dos Produtores e Distribuidores de Hortifrútis do Estado de São Paulo mostram que 48% dos trabalhadores deste ramo ficaram sem seus empregos, o equivalente a quase três mil demitidos. Embora dependa diretamente das condições climáticas, essa situação de crise poderia ser evitada se o desperdício não ocorresse em grande escala no país, principalmente nas grandes metrópoles, onde a água é utilizada de maneira indevida e imprudente. Isso necessita ser combatido pelas autoridades.
Portanto, tendo em vista a problemática atual, é essencial que o governo, em conjunto com a ANA - Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico -, tome medidas cabíveis para reduzir o número de pessoas sem água e para conter o desperdício que afeta todas as esferas da sociedade, como campanhas de conscientização, veiculadas na TV e na internet, com o intuito de minimizar o desperdício dos recursos hídricos, em que é mostrada a realidade das pessoas que sofrem com a escassez em todo o mundo, fazendo um apelo à população. Também é cabível a confecção de projetos dos governos estaduais para a implantação de redes de saneamento básico nas regiões mais carentes de água tratada, com a disponibilização de mais recursos voltados a essa questão. Só assim será possível que a água seja regalo de toda a população brasileira.