Impactos da escassez da água no século XXI

Enviada em 02/09/2021

Policarpo Quaresma, protagonista da obra-prima de Lima Barreto, era um nacionalista extremado que sonhava com mudanças utópicas para o Brasil e morreu frustrado ao ver que elas não aconteceram. Se vivesse hoje, por certo se decepcionaria ao notar que a sociedade pouco avançou no sentido de uma reflexão ética e moral, haja vistas que entraves, como os impactos da escassez da água, se fazem presente no corpo brasileiro. Nesse sentido, cabe analisar como o aumento do consumo de água no mundo e a falta de um bom saneamento básico afetam a qualidade de vida das pessoas.

Observa-se, em primeira instância, que o aumento no consumo da água pode ser um problema para a sociedade brasileira. Sob essa ótica, tal entrave se diverge de utopia de Brasil narrada por Barreto, na medida em que o brasileiro consome 137 litros a mais do que é indicado diariamente, de acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde). Ademais, apesar de no Brasil a água ser um recurso encontrado com abundância, ela é finita e, com o consumo excessivo, a poluição dos mananciais e o aumento populacional, a água potável é colocada em risco no mundo.

Outrossim, vale ressaltar que a precariedade presente no sistema de saneamento básico brasileiro prejudica um desenvolvimento sustentável. Nesse contexto, ganha voz a percepção do sociólogo Émile Durkheim, ao afirmar, na obra “Estudo do método sociológico”, que os instrumentos sociais obrigam os indivíduos a se adaptarem às regras da sociedade. Esse pensamento, em sua essência, revela a má qualidade do Governo em relação ao que é garantido pela Constituição ao cidadão: o direito ao saneamento básico.  A carência de um bom saneamento faz com que nem todas as pessoas tenham acesso a uma quantidade ideal de água potável diariamente, podendo dessa forma prejudicar a saúde, pois se torna necessário recorrer à água não-potável, que pode conter bactérias.

Portanto, tendo em vista os fatos supracitados, é notória a necessidade de que o Governo, utilize a mídia e, por meio de campanhas, conscientize as pessoas que suas ações podem acarretar problemas futuros, pois a água não é um recurso infinito e deve ser usado com moderação. Também se mostra necessário que o Governo, juntamente ao Ministério da Saúde, por meio de projetos governamentais, disponibilize um maior número de verbas para que o número de pessoas sem acesso a um saneamento básico decente diminua, promovendo um desenvolvimento sustentável, de modo a orgulhar Policarpo Quaresma.