Impactos da escassez da água no século XXI
Enviada em 27/08/2021
Na obra “Vidas Secas”, o autor Graciliano Ramos retrata as consequências da seca do sertão nordestino, por meio das dificuldades vividas pela família de Fabiano, retirantes que buscavam sair da marginalidade social. Dessa forma, o livro relaciona-se hodiernamente com os impactos da escassez da água no século XXI não só no Nordeste, mas em todo o Brasil, mostrando que essa problemática persiste profundamente devido ao vasto consumo por parte da agricultura e ao desperdício, que gera efeitos a população.
A priori, pode-se ressaltar que a preservação da água é responsabilidade dos agentes econômicos, como agricultores, já que a agropecuária usa 70% da água no país, porém quase metade desse montante é jogada fora segundo as estimativas do Fundo das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO, na sigla em inglês). Entre os motivos do desperdício estão irrigações mal-executadas e falta de controle do agricultor na quantidade usada em lavouras e no processamento dos produtos. Os impactos recaem sobre o ecossistema, já que lençóis freáticos e rios sofrem com a falta de chuvas e correm o risco de secar ao longo dos anos. Desse modo, caso medidas não sejam tomadas, o país pode viver uma crise hídrica, como a ocorrida em São Paulo em 2014.
Outrossim, de acordo com a ONU (Organização das Nações Unidas) a média de consumo de água recomenda é 110 litros por habitante/dia. Porém não é isso que acontece, segundo dados do Instituto Trata Brasil o consumo médio brasileiro é de 166,3 litros por habitante/dia. O que fica 51% acima do recomendado. Ademais, a indústria cultural, definida por Theodor Adorno, acaba por impulsionar o telespectador a consumir cada vez mais, consequentemente, o cidadão comum esbanja esse recurso, também de forma indireta, tal como a lavagem de carros, uso exagerado de chuveiros e descargas que colaboram para o desperdício hídrico. Além disso, a falta de água tem impacto na produção de energia proveniente de hidrelétricas. Uma vez que os reservatórios secam, pode faltar energia elétrica em várias regiões do país.
Por conseguinte, é indubitável a intervenção dos agricultores e da mídia para mudar o panorama da crise hídrica do país. Para isso, os produtores agrícolas devem, então, investir em novas técnicas de irrigação, como a de gotejamento, em que a distribuição de água sobre a plantação é feita pelo derramamento de gotas ao invés de um fluxo constante, a fim de que se evite desperdício. Por intermédio de propagandas, aclarar o consumo consciente de forma a atenuar os impactos do desperdício de água, mostrando o gasto hídrico na produção de alimentos, roupas e outros. Destarte, o governo brasileiro conseguirá preservar as bacias hidrográficas do país.