Impactos da escassez da água no século XXI
Enviada em 03/09/2021
A obra Vidas Secas, escrita por Graciliano Ramos, mostra o cenário de uma família que deixou o sertão nordestino devido à grande seca enfrentada por eles. Apesar de os fatos narrados no livro se passarem no século XIX e do grande potencial hídrico do país, a falta de água ainda é uma realidade na vida de muitos brasileiros. Isso ocorre seja pelo consumo exacerbado da população, seja pelo uso desenfreado em âmbito industrial. Portanto, é notório a necessidade da discussão a cerca da problemática, para que a atual realidade se contenha somente nas páginas das obras literárias.
Em primeiro momento, é importante destacar que um dos principais agentes responsáveis pelo grande consumo de água são os agricultores. Segundo a Agência Nacional de Águas (ANA), a cada 100 litros de água consumidos, 72 são utilizados na irrigação agrícola. Além disso, há desperdício nessa área, como perdas por evaporação ou pelo excesso de água jogada nas plantas. Portanto, pode-se perceber que há uma falta de fiscalização quanto a quantidade de água a ser utilizada e se seu uso é consciente, evitando ao máximo as perdas.
Ademais, o consumismo também é um grande responsável pela escassez deste recurso, mesmo que de forma indireta. Para entender como isso ocorre, deve-se ter em mente o conceito de água virtual, que basicamente corresponde ao volume de água utilizado no processo de produção de um bem ou serviço, ou seja, o que você consome, mas não vê. Somado a isso, também há os padrões capitalistas de consumo, como a obsolescência programada, que basicamente induz o consumidor a sempre comprar novos produtos. Assim, quanto maior a necessidade da população de adquirir novos bens, maior será a demanda de água exigida, mostrando o quanto o consumo desenfreado impacta na utilização da água.
Assim sendo, é evidente que medidas devem ser tomadas para que a esse recurso seja utilizado de forma eficiente. Portanto, cabe ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento a criação de leis que padronizem as técnicas de irrigação, implantando métodos que visem um menor desperdício, como o gotejamento. Além de disso, fiscalizações periódicas devem ocorrer de modo que haja a certeza de que essas medidas estão sendo cumpridas. O Estado também deveria investir em campanhas de conscientização que mostrem os prejuízos do consumismo para a natureza, através de propagandas nos canais comunicativos e redes sociais, visando mostrar à população que não só o desperdício doméstico é responsável pela falta de água.