Impactos da escassez da água no século XXI

Enviada em 03/09/2021

A Lei da Água é um documentário nacional que informa a respeito da importância das florestas e exemplifica métodos de conservação do meio ambiente para a preservação de água. A emergente ameaça do esgotamento dos recursos hídricos no Brasil já preocupa, e os impactos de sua escassez já podem ser observados. Sendo assim, vê-se imprescindível a discussão acerca dos fatores que continuam a favorecer esse cenário, a fim de um uso mais consciente desse patrimônio natural.

Inicialmente, é preciso salientar a indústria como um grande impulsionador da escassez hídrica no Brasil. Além da insistência em métodos obsoletos, o consumismo também está diretamente ligado a esse quadro. Uma calça jeans, por exemplo, demanda 11 mil litros de água para sua produção. É possível observar, então, como ideias como “fast fashion”, incentivados pelo consumismo são prejudiciais aos recursos hídricos. Bauman e Lipovetsky, filósofos que tratam de tempos instáveis e voláteis. Falam de modernidade-líquida (necessidade de substituir produtos por outro mais novos) e de uma sociedade movida pelo hiper-consumo (a busca pela felicidade por meio do consumismo). Práticas comuns, inconsequentes e nocivas ao meio-ambiente.

Ademais, é pertinente destacar o desperdício e mau uso dos recursos hídricos na agropecuária brasileira como uma causa elementar da escassez de água. Quase metade de toda a água empregada no campo é desperdiçada, segundo dados do Fundo das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), e inclusive destacam que seria possível abastecer duas vezes a população mundial caso o meio rural diminuísse o consumo de água em 10%. Os impactos desse descaso poderão ser observados nos âmbitos sociais, econômicos e ambientais, nas crises hídricas, na redução do abastecimento de água para população (como no racionamento de água em São Paulo no ano de 2014), no esgotamento de recursos naturais, no esvaziamento de cidades e até mesmo na baixa produção agrícola.

Diante dos fatos, faz-se indeclinável a adoção de medidas que revertam a escassez de água no Brasil e seus impactos. Cabe primeiramente à Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e ao Ministério da Agricultura a regulamentação do uso dos recursos hídricos na indústria e no agronegócio, criando leis e aplicando multas àqueles que fizerem mau uso ou desperdiçarem imoderadamente. O Ministério Federal além de instruir o Conselho Estadual de Recursos Hídricos (CERH) acerca de medidas que possam conter o desperdício de água dentro dos estados brasileiros, também deverá trabalhar em campanhas que alertem a respeito do consumismo, pois, assim como a água, a informação é um bem universal que deve ser utilizado com inteligência e potencializando o bem da população de maneira consciente.