Impactos da escassez da água no século XXI

Enviada em 27/08/2021

O livro “Vidas secas”, de Graciliano Ramos, retrata a luta pela sobrevivência de uma família de retirantes que foge da seca do sertão nordestino. Além disso, o autor se queixa do descaso social e a exploração humana perante a seca. Embora a obra seja do século XIX, o cenário de escassez hídrica ainda permeia a sociedade do século XXI, devido ao vasto consumo por parte da agricultura e ao desperdício, que gera efeitos maléficos à população.

Em primeiro plano, vale ressaltar que a preservação da água é responsabilidade dos agentes econômicos, como agricultores, visto que são os maiores consumidores. Segundo a Agência Nacional de Águas (ANA), a cada 100 litros de água consumidos, 70% são utilizados na irrigação agrícola e quase metade desse montante ainda é jogado fora. Ademais, há desperdício nessa área, como perdas por evaporação ou pelo excesso de água jogada nas plantas e, por conseguinte, caso medidas não sejam tomadas, o país pode viver uma crise hídrica, como a ocorrida no Espírito Santo em 2016.

Paralelo a isso, de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), cada indivíduo necessita de 110 litros de água para consumo e higiene. No entanto, no Brasil, o consumo ultrapassa 200 litros. Nesse sentido, bilhões de litros de água são desperdiçados em descargas, chuveiros, lavagem de calçadas, o que leva à escassez desse recurso natural. Uma pesquisa feita pelo site Lek Inespection mostra que o desperdício diário de água potável é suficiente para abastecer 2.500 piscina olímpicas. Dados que são preocupantes, pois a falta desse recurso tem impacto na produção de energia proveniente de hidrelétricas. Uma vez que os reservatórios secam, pode faltar energia elétrica em várias regiões do país.

Fica claro, dessa forma, que mudanças são necessárias para que a economia de água seja efetivada. Portanto, os produtores agrícolas devem, então, investir em novas técnicas de irrigação, como a de gotejamento, em que a água corre sob pressão por tubos de polietileno até a raiz da planta e o seu aproveitamento chega a 95%, evitando assim um fluxo constante, a fim de que se evite desperdício. É função do Poder Público implantar a água de reúso nas residências, proveniente das estações de tratamento do esgoto, que é imprópria para consumo mas que pode ser tratada, sendo utilizada na refrigeração de equipamentos nas indústrias, limpeza de ruas e praças e em descargas de vaso sanitário nas residências, a fim de minimizar a captação desse recurso na natureza. Por conseguinte, fazendo com que os cidadãos optem por produtos cada vez mais econômicos, afim de reutilizar e conscientizar o uso do recurso natural ao nosso favor.