Impactos da escassez da água no século XXI

Enviada em 27/08/2021

Na obra de Graciliano Ramos, “Vidas secas”, retrata a luta pelas áreas de Fabiano e sua família diante da falta de água no sertão nordestino, o autor denuncia o descaso social e a exploração humana perante a seca. Todavia, no século XXI a escassez de água é uma realidade não só no Nordeste, mas em todo o Brasil, devido ao vasto consumo por parte da agricultura e ao desperdício, que gera efeitos à população.

A priori, segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), menos da metade da população mundial tem acesso à água potável. A irrigação corresponde a 73% do consumo de água, 21% vai para a indústria e apenas 6% destina-se ao consumo doméstico. Mais de 30% da população mundial não têm acesso a água tratada, 43% da população mundial não contaminada com serviços de saneamento básico. Diante desses dados, é descontente a constatação de dez milhões de pessoas morrem anualmente em decorrência de doenças intestinais transmitidas pela água.

Em segundo plano, mais de 97% dessa água não pode ser consumida e nem usar em limpezas e higiene pessoal, por exemplo. Isso porque ela é salgada. Da água doce que sobra, a grande parte está congelada e outra parte substancial não está subsolo. Enquanto isso, a água que existe nos reservatórios e entra nas redes de distribuição para serem utilizadas pelas pessoas correspondentes a menos de 1%. E pouco sobra para consumo próprio, pois a produção agrícola exige uma grande quantidade de água para se desenvolver de forma satisfatória. Além disso, uma boa porcentagem dessa água também é afetada pelas indústrias. Há água que poderia ser aproveitada, mas acaba sendo contaminada por resíduos industriais e resíduos de aterros sanitários e lixões, entre outros.

Infere-se, portanto, os desafios de escassez de água do século XXI como um problema. Destarte, é necessário que os produtores agrícolas devem, então, investir em novas técnicas de irrigação, como a de gotejamento, em que a distribuição de água sobre a plantação é feita pelo derramamento de gotas ao aumento de um fluxo constante, a fim de que se evite desperdício. Cabe ao Poder Público junto com as agências e saneamento básico a criação de um programa de selos de eficiência hídrica para descargas, chuveiros e torneiras, semelhantes ao selo Procel de eficiência energética, para que os cidadãos optem por produtos cada vez mais econômicos.