Impactos da escassez da água no século XXI
Enviada em 27/08/2021
No livro “Vidas Secas” de Graciliano Ramos, é exposto o cotidiano de uma família miserável que tenta escapar da seca do sertão nordestino em busca de condições favoráveis de vida. Fora da obra, é fato que a escassez de água afeta diversas regiões do mundo. Esse panorama lamentável ocorre não só em razão do desperdício de água, mas também da ausência de infraestruturas básicas. Desse modo, torna-se fundamental a análise dessa conjuntura para reverter esse quadro.
De início, entende-se que o desperdício de água é um fator crucial para a existência do entrave na sociedade. Isso pode ser gerado de diversas maneiras, seja pelos cidadãos ou por parte das grandes corporações. As empresas ligadas a agricultura são os grandes vilões da perda d’água. Segundo a Agência Nacional de Águas (ANA), no Brasil, a produção de alimentos é responsável por 70% do desperdício da água que chega ao consumidor final. Logo, essas práticas retardam o combate à escassez de água e corroboram para a perpetuação desse quadro deletério.
Além disso, destaca-se a carência de investimentos em infraestruturas básicas como outro desafio que dificulta a atenuação do impasse. Isso ocorre por razões econômicas, especialmente em países periféricos, onde problemas relacionados à falta de recursos podem afetar os investimentos em sistemas de captação, armazenamento e distribuição de água para a população. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis. Destarte, fica evidente a ineficiência da máquina administrativa na resolução dessa situação caótica.
Infere-se, portanto, a necessidade de mitigação dos entraves em prol da diminuição da escassez de água. Assim, cabe ao poder Legislativo a ampliação da legislação brasileira no tocante às punições aplicadas à ineficiência estatal, objetivando o fim dessa inércia prejudicial. Ademais, que sejam aplicadas técnicas como irrigação por gotejamento e fiscalização maior das áreas de proteção ambiental, de modo a diminuir a exploração dos recursos hídricos e promover uma irrigação responsável. Dessa forma, o cenário poderá ser revertido.