Impactos da escassez da água no século XXI
Enviada em 31/08/2021
Policarpo Quaresma, protagonista de Lima Barreto, tem como característica mais marcante um nacionalismo ufanista, acreditando em um Brasil utópico. Entretanto, o descaso com os impactos da escassez da água no século XXI torna o país ainda mais distante do imaginado pelo personagem. Nessa perspectiva, seja pela má gestão sustentável da água, seja pela ineficiência do Estado, o problema permanece silenciosamente afetando grande parte da população e exige uma reflexão urgente.
Em primeiro lugar, nesse contexto, é valido ressaltar que a falta de água vai de encontro também aos objetivos do desenvolvimento sustentável propostos pela ONU. Segundo a ONU, os 17 objetivos têm como meta o equilíbrio dos três pilares do desenvolvimento sustentável - social, econômico e ambiental - e a relação interligada entre cada um deles. Nesse caso, um dos preceitos diz respeito à gestão sustentável dos recursos hídricos, porém com relação a problemática abordada isso não ocorre uma vez que grande parte da população brasileira não tem acesso à água potável, mesmo o Brasil tendo as maiores bacias hidrográficas do mundo.
Além disso, outro fator influenciador desse problema é a ineficácia do Estado. Isso porque, o governo federal não garante à todas as regiões, de forma equitativa, um bom saneamento básico e uma boa distribuição de água potável. Dessa forma, a população necessita de consumir água em locais inadequados, onde existe riscos de contaminação, gerando inúmeras consequências, como problemas de saúde causados por microrganismos. Assim, fica claro que o legado de negligência e ignorância frente ao entrave persiste e impede que o Brasil prospere rumo ao desenvolvimento social pleno.
Torna-se evidente, portanto, a urgência de medidas para alterar o cenário vigente. Para isso, o governo Federal, instância máxima da administração executiva no país, deve criar mais estações de tratamento de esgoto em locais onde o saneamento básico é precário. Ademais, também deve incentivar a sociedade a reutilizar a água da chuva, por meio da redução de impostos, com o intuito de evitar o desperdício. Só assim, o mundo imaginado por Policarpo irá se tornar realidade.