Impactos da escassez da água no século XXI
Enviada em 26/08/2021
Policarpo Quaresma, protagonista de Lima Barreto tem como característica mais marcante um nacionalismo ufanista acreditando em um Brasil utópico. Entretanto, o descaso com a escassez de água no século XXI torna o país ainda mais distante do imaginado pelo personagem. Nessa perspectiva, seja pela falta de políticas públicas, seja pela desigualdade social, o problema permanece afetando silenciosamente afetando grande parte da população e exige uma reflexão urgente.
A princípio, evidencia-se por parte do Estado, a ausência de políticas públicas suficientemente efetivas para a resolução da problemática. Segundo Abraham Lincoln, ícone político americano, a política é serva do povo e não ao contrário. Com efeito, em relação à escassez de água, o que se percebe é justamente a ideia oposta à que Lincoln defendeu, pois não há um conjunto de ações, planos, metas públicas voltadas para a resolução da questão. E, como consequência, há o agravamento de um problema social expressivo que poderia ser solucionado se houvesse mais interesse do Estado. Logo, é inegável que essa situação ocorre porque o governo não age em prol da resolução dela.
Outrossim, questões sociais estão intimamente ligadas à escassez de água no século XXI. Nesse âmbito, a cegueira moral, fenômeno exposto por José Saramago em sua obra “Ensaio sobre a Cegueira”, caracteriza a alienação da sociedade frente às demais realidades sociais, a qual é fomentada pela desigualdade social, tornando cada vez mais difícil a mudança do cenário vigente. Sendo assim, é mister a intervenção no corpo social onde vive e, sobretudo, na construção de um Brasil mais igualitário.
Fica evidente, portanto, que a escassez de água no século XXI não é só um problema de saúde pública, mas também econômico e social. Para tanto, cabe ao Poder Público ampliar medidas que auxiliam na distribuição de água potável a toda população mundial, por meio do Programa Cisternas - medida usada para famílias rurais de baixa renda atingidas pela seca ou falta regular de água - para que mais pessoas tenham acesso e boas oportunidades futuras, como melhores condições de vida e saúde plena. Além disso, é necessário que a mídia, junto a ONG’s - instituição privada que tem como objetivo atuar em áreas onde não chega o poder público - promovam campanhas que incentivam a sociedade a repensar nos desperdícios de água e na má distribuição dela. Dessa forma, poder-se-á atingir a concepção idealizada por Quaresma.