Impactos da escassez da água no século XXI
Enviada em 26/08/2021
Sociólogo francês, Pierre Bourdieu, com base na “Teoria do Habitus’’, afirma que o indivíduo tende a ser influenciado por comportamentos enraizados na sociedade e se habituar diante de situações, mesmo que problemáticas. Dessa forma, essa análise do convívio em sociedade pode representar facilmente o comportamento passivo da população diante dos impactos da escassez da água no século XXI, já que é justamente a habitualidade frente a essa escassez que consolida a falta de medidas para a erradicação deste quadro. Assim, não só o desperdício,como também a ineficiência do estado consolidam essa situação.
Em primeira instância, vale ressaltar que a preservação da água é responsabilidade dos agentes econômicos, como agricultores, visto que são os maiores consumidores. Segundo a Agência Nacional de Águas (ANA), a cada 100 litros de água consumidos, 72 são utilizados na irrigação agrícola. Ademais, há desperdício nessa área, como perdas por evaporação ou pelo excesso de água jogada nas plantas e, desse modo, caso medidas não sejam tomadas, o país pode viver uma crise hídrica, como a ocorrida em São Paulo em 2014.
A obra modernista Vidas Secas, de Graciliano Ramos, retrata uma família de retirantes que foge da seca do sertão nordestino no século XIX. Já no século XXI, a escassez de água é uma realidade não só no Nordeste, mas em todo o Brasil, devido ao vasto consumo por parte da agricultura e ao desperdício, que gera efeitos à população. Por conseguinte, a ineficiência do estado no que tange a garantia do saneamento básico, em diversas regiões brasileiras, é um infortúnio, sendo evidenciado pelo mau processamento da água, falta de encanamento e o seu despejo inadequado, como em rios e próximo a habitações. em virtude disso, o consumo de sua forma não potável gera, sobretudo, danos ao organismo, ocasionando patologias como a amebíase, tendo como agente etiológico um protozoário que causa danos ao trato intestinal.
É evidente, portanto, que a falta de água em certos locais e abundância dessa noutros, somado ao uso incorreto, atenua as desigualdades sociais. logo, é aconselhável que seja realizado uma conferência instituída pela onu, reunindo países com impasses nesse âmbito, como o brasil, estados unidos, canadá, china e seja feita uma análise de medidas especificas em cada um segundo sua necessidade, com o firmamento no compromisso de amenizar o desperdício de água e a garantia ao saneamento básico. portanto, que ocorra de forma análoga ao protocolo de kyoto, no qual nações se comprometeram a reduzir as emissões de poluentes, paulatinamente.