Impactos da escassez da água no século XXI

Enviada em 27/08/2021

No livro “Vidas Secas”, romance do escritor Graciliano Ramos, é narrada a vida de uma família de sertanejos que se deslocam frequentemente para outras regiões fugindo das secas. Fora da ficção, em um cenário hodierno, muitas pessoas habitam em lugares semelhantes a esse e nas mesmas condições apontadas pela obra. Todavia, em algumas regiões do Brasil, a escassez de água se encontra cada vez mais intensificada, tornando iminente consequências catastróficas. Por isso, entende-se que os impactos causados ​​pela penúria de água se devem tanto do vasto consumo pela parte da agricultura, quanto pela má gestão dos recursos hídricos no país.

A priori, a agricultura - também conhecida como setor primário da Economia - é responsável pelo maior índice de consumo e desperdício de água do mundo. Embora seja base para a economia do país e essencial para uma sociedade, pois produz os alimentos para consumo humano, neste setor quase metade da água empregada nos campos são disperdiçadas. Segundo o Fundo das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), se o meio rural diminuísse seu consumo em 10%, o volume seria o bastante para abastecer duas vezes a população mundial, logo, não faltariam recursos para atender às demandas padrões de água e, dessa forma, uma população, não teria que sofrer com secas constantes.

Em segundo plano, outro fator que corrobora com o desprovimento dos recursos hídricos é a má gestão governamental. Sob tal ótica, segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), metade dos projetos de água na América Latina fracassam em até 5 anos após a implantação, pois não contam com modelos resistentes ao longo do tempo, sendo que, pela Declaração dos Direitos Humanos, todos possuem direito ao acesso à água potável, uma vez que é fundamental para a promoção da qualidade de vida adequada. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de 35 milhões de pessoas não possuem o uso de água tratada no país, isto é, estão suscetíveis às variações das doenças - como cólera, leptospirose, hepatite A, entre outras .

Portanto, faz-se evidente que são necessárias medidas para a redução dos impactos da escassez dos recursos hídricos em todo o território nacional. Contudo, é dever do Governo, por intermédio da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), garantir que todas as famílias recebam os devidos serviços de manutenção básica, por meio de implementações das redes de abastecimento de água tratada e saneamento básico, a fim de que as famílias recebam um tratamento de qualidade e, por fim, não tenham que contrair doenças ou perder sua vida por conta de negligências praticadas pelo Estado. Acreditando que, deste modo, as vidas secas possam voltar a florir.