Impactos da escassez da água no século XXI
Enviada em 27/08/2021
O livro Vidas Secas, de Graciliano Ramos, retrata uma população na região nordeste, onde a falta de água e a seca influencia diretamente e dificulta a vida das pessoas. Embora o Brasil tenha cerca de 12% da água doce de superfície do mundo, o país também tem algumas áreas-chave onde a escassez, seja devido à má distribuição ou uso indevido, não é mais apenas uma ameaça. Hoje ela nos traz inúmeros impactos sociais e econômicos.
Em primeiro lugar, devido aos recursos hídricos limitados, o país sofreu mpactos na segurança alimentar e na economia. Sabe-se que grande parte da economia do país é impulsionada pela agricultura. Além disso, também é de conhecimento que a água é um fator chave na sustentação desta atividade económica. Devido ao acesso limitado aos recursos, no curto prazo, a produção é afetada e o valor do produto final aumenta, o que limita o acesso dos mais pobres aos alimentos. No médio e longo prazo, não só aumentamos os preços, mas também faltam alimentos para exportação e consumo interno.
Em segundo lugar, o desemprego e a fragilidade energética estão relacionados com a escassez deste recurso. Segundo levantamento da FIESP, em São Paulo, mais de 3 mil empregos foram fechados em 14 dias por conta da crise hídrica. Além disso, a fundação também informou sobre a migração de diversas indústrias para áreas com maior abastecimento de água. Além disso, sabemos que a principal matriz energética do país é a água. Segundo o governo brasileiro, as usinas hidrelétricas são responsáveis pela produção de mais de 75% da eletricidade do país. Portanto, em caso de escassez, nossa quantidade de água é baixa e a produção de energia é baixa. Isso nos trouxe um aumento nas contas de luz e outros setores que dependem de eletricidade.
Portanto, é inegável que o consumo de água precisa ser otimizado para que esses e outros efeitos não sejam comuns na vida dos brasileiros. A priori, a Associação Nacional da Água deve criar um órgão com o governo brasileiro para monitorar o consumo de água das lavouras e da pecuária com base em pesquisas e estimativas determinadas, utilizando o espaço e garantindo a máxima produtividade como padrão. Os bens que ultrapassarem o nível médio devem ser multados e, em caso de abusos graves, a disponibilidade de recursos deve ser reduzida em determinado período de tempo. Posteriormente, esse monitoramento e fiscalização devem ser estendidos também à indústria, depois a outros setores do país e, finalmente, às famílias. Além disso, o país deve investir em uma matriz energética alternativa para emergências. Assim, cenários como os que Graciliano Ramos descrevera em sua obra serão vistos com menos frequência.