Impactos da escassez da água no século XXI
Enviada em 27/08/2021
A obra literária “Vidas Secas“, de Graciliano Ramos, aborda uma família de retirantes que luta pela sua sobrevivência diante a seca no sertão nordestino. Apesar da obra ser do século XX, observa-se que a crise hídrica no Brasil persiste e é um problema ainda mais acentuado no século XXI, devido o consumo exagerado e ao desperdício da água pela sociedade contemporânea. Logo, é de suma importância destacar os efeitos da falta desse recurso nos âmbitos sociais, ambientais e econômicos, além de buscar soluções a fim de mitigá-los.
Em primeiro plano, verifica-se que a carência de recursos hídricos afeta diretamente a economia e as necessidades da população. O agronegócio tem sido reconhecido como um vetor crucial do crescimento econômico brasileiro que ,em 2019, representou 21,4% do PIB brasileiro, segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA/USP). Tendo em vista que a água é primordial para a manutenção desse setor, o acesso limitado a este recurso pode levar a demissões, como ocorreu em São Paulo, quando foram fechados mais de 3 mil postos de trabalhos por causa de uma crise hídrica, conforme uma pesquisa realizada pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP). Ademais, acarreta no aumento do preço dos produtos e sua falta, afetando tanto a exportação, quanto o consumo interno da população brasileira.
Outrossim, destaca-seque a delibilidade energética é associada à escassez de água. Conforme o Governo brasileiro, mais de 75% da geração eletricidade no país é proveniente de hidrelétricas. Uma vez que há diminuição nos volumes hídricos, devido às intervenções humanas no meio ambiente e mudanças do clima, a produção de energia será menor que a demanda do país. De acordo com o Operador Nacional do Sistema Elétrica (ONS), ao mesmo tempo que as águas que movem as usinas hidrelétricas seguem reduzidas, o consumo de energia deve crescer 3,7% no mês de julho de 2021, em relação ao mesmo mês no ano passado. Por conseguinte, a conta de luz aumenta e regiões do território podem sofrer com apagões.
Dado o exposto, a fim de que esse recurso essencial para todos os âmbitos e diferentes formas de vida seja preservado, cabe ao Ministério do Meio aumentar a fiscalização das normas estabelecidas pelo Código Florestal, fazendo-se uso de créditos ou incentivos financeiros para recompensar aqueles que seguissem de forma integral as regras previstas no documento, para que o desmatamento seja controlado e reduzido, garantindo o regime de chuvas que abastece as fontes de água. Ademais, deve promover, juntamente à Mídia, campanhas que alertem à população sobre os impactos do consumo exagerado e do desperdício de água, com o intuito de conscientizá-la.