Impactos da escassez da água no século XXI

Enviada em 27/08/2021

Na obra literária “Vidas secas”, de Graciliano Ramos, é retratada a vivência de Fabiano e sua familia, que sofrem com os impactos da seca no nordeste brasileiro, submetendo-se à condições de vida precárias pela falta de água. Na contemporaneidade, assim como foi versada no livro publicado em 1938, a escassez hídrica vem se tornando um significativo agravante para situações como o desemprego e o acúmulo de lixo.

Em primeiro plano, o avanço da industrialização gerou um aumento expressivo na concentração populacional nos centros urbanos, contribuindo para o hiperconsumo. Tal tese foi elaborada pelo filósofo francês Lipovetsky, em que a sociedade pós-moderna sustenta-se baseada no consumismo. Porquanto, a produção em larga escala compromete-se com a escassez hídrica, devido à necessidade de água para a produção das mercadorias consumidas. Logo, quanto maior o consumo, maior a necessidade de produção, o que resulta no agravamento da carência liquida nas empresas, gerando o desemprego e o crescimento da desigualdade social.

Ademais, com o desdobramento da urbanização, sucede-se a migração para um sistema de água encanada para distribuição nas residências urbanas. A longa metragem Wall-e, da Pixar, representa um planeta Terra formado por lixo, inviabilizado de proceder à existência humana em tal cenário. Essa realidade não foge do contexto enfrentado nos dias atuais, uma vez que o aumento da escassez hídrica retarda o tratamento de água nos esgotos, gerando o acúmulo de efluentes não degradáveis, consequentemente resultando na transição do que era água por lixo.

Portanto, diante do exposto, vê-se necessária uma intervenção que vise contornar o problema. Para isso, cabe ao Governo Federal, por meio do Ministério do Meio Ambiente e das Secretárias Municipais, construir infraestruturas capazes de implementar a água de reuso como alternativa do desenvolvimento sustentável. De forma que não seja obrigatório o uso de água potável para produção e modo de subsistência. Sendo assim, evitando os impactos causados pela escassez hídrica, preservando a água do planeta que, segundo Tales de Mileto, é a origem de tudo.