Impactos da escassez da água no século XXI

Enviada em 27/08/2021

Na obra literária “O Quinze”, de Rachel de Queiroz, é perceptível ao decorrer da trama o que uma crise hídrica pode acarretar na vida de uma sociedade pobre, obrigando-os a migrar na busca de algo tão simples: a água. Nesse contexto, o Brasil vem sofrendo com escassez e principalmente com o baixo nível na rede de tratamento das fontes de água nacional. Sabendo disso, dois pontos não podem ser negligenciados, como o mal uso da água, e seus impactos na sociedade  brasileira.

Sob esse viés, sabe-se que o Nordeste sempre sofreu com o abastecimento pelo fato de estar em uma região com baixos níveis pluviais. Porém, outros estados hoje sofrem com a falta de chuva, por exemplo o Rio de Janeiro, que começou a sofrer com águas com mau cheiro e gosto de areia, segundo dados do Cedae. A problemática, por mais que seja preocupante, não está somente na falta de chuva, mas tamém no pensamento criado de que a água nunca acabará, levando a usos desenfreados.

Nesse contexto, vale citar também a “água virtual”, que é o volume de água utilizado no processo de produção de bem ou serviço. É aquela água que você consome, mas não vê. Este conceito permite compreender diretamente o impacto do desperdício e do consumismo na preservação da água como direito universal. Cada vez que compram algo, mesmo que não tenha água em sua composição, estão comprando também o impacto ambiental da água utilizada no processo produtivo do produto adquirido.

É evidente, portanto, que há uma necessidade de cobrança das autoridades sobre o uso da água pelos grandes produtores e industriais. Para isso, o Ministério do Meio Ambiente deve além de regulamentar e fiscalizar vazamentos e desperdícios, beneficiar com isenções fiscais àqueles que adaptarem sua produção à métodos sustentáveis e de reaproveitamento - como o uso da água das chuvas; limpeza e reutilização das águas da cadeia de produção, quando possível, buscando garantir esse patrimônio às próximas gerações. Espera-se com isso, em um futuro próximo, que a crise seja algo para se apreciar apenas na literatura.