Impactos da escassez da água no século XXI

Enviada em 03/09/2021

Graciliano Ramos, em Vidas Secas, retrata a luta pela sobrevivência de Fabiano e sua família diante da falta de água no sertão nordestino. Além disso, o autor denuncia o descaso social perante a seca. Todavia, mesmo após décadas da publicação dessa obra, o cenário de escassez da água continua atual, seja pela negligência governamental, seja pela má distribuição do recurso hídrico. Logo, é mister afirmar que esse problema afeta a sociedade como um todo e, por isso, precisa ser combatido.

Em primeiro lugar, nota-se que a segurança hídrica recebe pouco investimento do governo. Tal descaso é uma afronta desrespeitosa à lei e à justiça, mas, infelizmente, é o que se observa no cenário brasileiro atual, uma vez que as empresas não são incentivadas a realizar investimentos nessa área. Nota-se também a ausência de um conjunto de ações, de planos e de metas públicas voltadas para a resolução dessa crise hídrica, e, como consequência, há o agravamento de um problema social expressivo: a debilidade energética. Isso porque, em situações de escassez, ocorre uma baixa nos volumes hídricos e uma menor produção de energia, levando ao aumento das contas de luz e em setores dependentes de energia elétrica. Logo, é inegável que essa situação ocorre porque o governo não age em prol da resolução dela.

Em segundo lugar, é necessário destacar que, apesar de a Constituição Federal Brasileira garantir o direito básico à água, o que se observa é a distribuição desigual desse recurso. Isso porque, segundo o Portal da Indústria, cerca de 80% de toda água disponível se encontra na Região Amazônica, na qual vive apenas cerca de 9,2% da população brasileira, já a Região Sudeste, por sua vez, abriga aproximadamente 47,6% da população brasileira e dispõe de apenas 1,7% de toda água nacional. Diante deste cenário, observa-se que a escassez de água no país está mais relacionada à gestão do que à disponibilidade do recurso. Logo, é substancial a mudança desse quadro.

Torna-se evidente, portanto, a urgência de medidas para alterar o cenário vigente. Dessa maneira, é dever do governo - principal responsável por assegurar os direitos sociais e fundamentais da sociedade - garantir que a população tenha acesso a água de qualidade, a fim de mitigar os problemas que advém da falta desse recurso. Essa medida deve ser feita por meio da criação de políticas públicas voltadas para a distribuição hídrica igualitária, e, para tanto, é necessário a criação de postos de tratamento de água e rede encanada em todos os municípios do país. Somente assim, a segurança hídrica sairá do papel e se tornará realidade.