Impactos da escassez da água no século XXI

Enviada em 27/08/2021

A Declaração Universal dos Direitos Humanos é uma das muitas conquistas da sociedade pós-industrial, sendo responsável por garantir direitos básicos a todos os indivíduos, incluindo assim uma das necessidades mais fundamentais do ser humano: o acesso a água potável. Nota-se, porém, que o Brasil encontra barreiras para validar esse direito, já que ainda sofre com problemas de escassez de água. Esses problemas hidráulicos não são decorrentes de uma falta de água no território nacional, mas sim de uma má distribuição da mesma, o que acaba impactando diretamente a população.

Deve-se abordar, em primeiro plano, que mesmo sendo o país mais rico no quesito de recursos hidráulicos, o Brasil sofre graves problemas de distribuição de água. Segundo dados divulgados em 2010 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, enquanto a região Sudeste detinha 3/5 dos recursos hídricos nacionais o Norte concentrava mais de 2/3, mesmo com a menor densidade demográfica do país (sendo mais de 20 vezes menor do que a do Sudeste). Além disso, uma pesquisa do Instituto Trata Brasil mostrou que o Norte é a região que mais desperdiça água potável, tendo uma perda superior a 50%. Nesse sentido, percebe-se que a área com menor demanda hidráulica é também a que mais concentra e desperdiça água do país, resultando num cenário totalmente oposto ao desejado.

É preciso reconher, ainda, que a escassez de água resulta em problemas de diversas camadas diferentes, indo desde o âmbito econômico ao social e político. Segundo dados divulgados pela Empresa de Pesquisa Energética, no ano de 2019 mais de 3/5 da energia gerada no Brasil foi produzida pelas usinas hidroelétricas. Desse modo, caso falte água nos reservatórios dessas usinas, a rede elétrica do país pode ser abalada, afetando diretemente escolas, hospitais e outros serviços importantes. Ademais, deve-se abordar a exploração da falta de recursos hídricos do Nordeste, que já foi muito usada para desviar verbas de projetos de irrigação e açudes. Essa estratégia política foi denominada de “indústria da seca”, e afetou profundamente essa região, agravando problemas como a fome e a desnutrição, enquanto a escassez de água permanecia.

Diante dos fatos expostos, torna-se evidente que, para resolver a questão da escassez de água no Brasil, medidas devem ser tomadas imediatamente. Para tal, as Redes de Ensino públicas e privadas devem, por meio de palestras e debates, conscientizar os seus alunos com respeito a importância da água, a fim de promover um menor desperdício hidráulico por parte das gerações futuras. Aliado a isso, o Poder Executivo deve, por meio da construção de novos reservatórios e tubulações, melhorar a distribuição hidráulica do Brasil, levando mais água para as regiões com maiores demandas.