Impactos da escassez da água no século XXI

Enviada em 29/08/2021

Uma família de retirantes que foge da seca do sertão nordestino no século XIX, esse é um resumo da obra Vidas Secas, do autor modernista Graciliano Ramos. Mas em pleno século XXI, a escassez de água se tornou um problema não só no Nordeste, mas no Brasil inteiro, devido ao grande consumo por parte da agricultura e ao desperdício, consequências sentidas diretamente pela população.

Primeiramente, vale destacar que a preservação da água é dever dos agentes econômicos, como agricultores. Uma vez que, segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), a atividade agropecuária é a principal responsável pelo uso da água, já que 70% de toda a água consumida no mundo é usada na irrigação das lavouras, se elevando para 72% no caso do Brasil, que é um país com forte produção nesse setor da economia. Além disso, existe o desperdício nessa área, como perdas por evaporação ou pelo excesso de água jogada nas plantas e, dessa forma, caso medidas não sejam tomadas, o país pode viver uma crise hídrica, como a ocorrida em São Paulo de 2014 a 2016.

Além disso, de acordo com a Organização das Nações Unidas, cada indivíduo necessita de 110 litros de água por dia para consumo e higiene. No entanto, no Brasil, são gastos em média 154 litros de água por dia. Nesse sentido, bilhões de litros de água são desperdiçados em descargas, chuveiros, lavagem de calçadas, o que leva à escassez desse valioso recurso natural. Como consequência, a falta de água tem impacto na produção de energia nas hidrelétricas. Visto que se os reservatórios secassem, poderia faltar energia elétrica em várias regiões do país.

Conclui-se, então, que mudanças são imprescindíveis para que o consumo de água seja consciente. Portanto os produtores agrícolas devem investir em novas tecnologias para irrigação, como a de aspersão, em que a distribuição de água sobre a plantação é feita com jatos d’água atingindo a plantação em forma de gotículas ao invés de um fluxo constante, a fim de que se evite desperdício. Cabe ao Poder Público a criação de um programa de selos de eficiência hídrica para descargas, chuveiros e torneiras, semelhante ao selo Procel de eficiência energética, para que os cidadãos optem por produtos cada vez mais eficientes e econômicos.