Impactos da escassez da água no século XXI

Enviada em 30/08/2021

A Revolução Indústrial, ocorrida a partir do século XVIII, trouxe significantes avanços na urbanização e aumento demográfico em escala global. Entretanto, tal fato histórico intensificou os impactos da imprudência em relação ao meio ambiente, uma vez que a ampliação da produção dependia da extração em massa de recursos aquíferos. Apesar de datar de séculos passados, a escassez de água ainda é uma realidade do cenário contemporaneo brasileiro. Logo, a fim de mitigar a problemática, é imprescindivel analisar não só a precarização do acesso à água potável e segura em áreas desfavorecidas, como também a ineficiência do poder público ao assegurar tal direito essencial ao ser.

A princípio, é válido destacar que a desigualdade social avaliada no território brasileiro faz parte da defasagem hídrica que diversos cidadãos vivem diariamente. À luz dessa compreensão, convém referenciar que, de acordo com o romancista Ariano Suassuna, há uma injustiça secular capaz de dividir a nação brasiliana em duas situações: a dos favorecidos e a dos despossuídos, de modo que direitos fundamentais reservados a todos sejam restritos a determinado grupo da população. De tal maneira, essa abordagem resulta na perpetuação da falta de água potável e saneamento adequado, cuja limitação afeta o acesso à saúde de qualidade, uma vez que os reflexos da indisponibilidade de recursos naturais poderiam ser minimizados caso a população obtivesse tratamento igualitário na promoção dos direitos universais.

Além disso, é importante mencionar que a ineficiencia do governo é, também, uma das razões pela qual o problema persiste. Sobre essa ideia, vale citar que, conforme afirmado pelo filósofo libertário Edward Barnett, o Estado é incapaz de obedecer às suas próprias leis, de forma a ser necessariamente ineficiente e contraditório como legislador. Desse modo, por mais que o governo tente atenuar o impasse impondo medidas, ainda não é suficiente para protagonizar seu papel de promover uma segurança hídrica à população. Portanto, evidência-se a ideia de que tal fato resulta nas mazelas sociais que se perpetuam resultantes da negligência estatal e, então, torna-se fato que a displicência da máquina pública age como propulsora dos reflexos negativos em relação à falta d’água no Brasil.

Assim, é fato que tal desafio afeta diversos setores sociais, essencialmente a área da saúde. Logo, é fundamental que o governo federal, na representação específica do Ministério da Saúde, adote medidas para investir ampla e igualitariamente o acesso à água limpa de qualidade em todo o território brasileiro, para que, de tal maneira, possa-se evitar os impactos negativos de tal carência, por meio do Sistema Único de Saúde, SUS. Tal ação estaria destinada ao fito de promover a minimização dos problemas que frequentemente atingem os cidadãos brasileiros.