Impactos da escassez da água no século XXI
Enviada em 31/08/2021
O romance filosófico “Utopia” - criado pelo escritor inglês Thomas More no século XVI - retrata uma civilização perfeita e idealizada, na qual a engrenagem social é altamente segura e desprovida de conflitos e problemas. Tal obra fictícia mostra-se distante da realidade contemporânea no tocante aos impacos da escassez da água, problema ainda a ser combatido no Brasil. Esse panorama lamentável ocorre não só em razão do desperdício de água, mas pelo aumento do consumo devido ao crescimento populacional. Desse modo torna-se fundamental a análise dessa conjuntura para reverter esse quadro.
Nessa linha de raciocínio é primordial destacar que a carência de investimentos em infraestrutura deriva da ineficácia do Poder Público no que concerne à criação de mecanismos os quais caíbam tais recorrências. Sob a perspectiva do filósofo contratualista John Locke, o Estado foi criado por um pacto social para assegurar os direitos fundamentais dos indivíduos e proporcionar relações harmônicas. Entretanto, é notório o rompimento desse contrato social no cenário hodierno brasileiro, visto que, devido à baixa de atuação das autoridades, quase 40% da água tratada do Brasil é desperdiçada principalmente por vazamentos, mas também por fraudes e outros problemas na rede de distribuição sendo bilhões de litros de água tratada sendo jogadas fora. Desatarte, fica evidente a ineficiência da máquina administrativa na resolução dessa situação caótica.
Além disso, vale destacar o uso excessivo de água, o contexto de exploração humana em Vidas Secas torna-se atemporal. Nessa obra literaria, a miséria causada pela falta de água soma-se com à miséria imposta pela inflência social representada pelas pessoas de alta classe da região. Da mesma forma, na atualidade, essa exploração se apresenta na indústria da seca. Esse termo remonta ao clientismo, já que elites regionais manipulam a distribuição de água de acordo com o seu interesse político, comum no Nordeste. Diante, a escassez hídrica em determinadas regiões negligenciadas no Brasil afeta socialmente a população.
Infere-se, portanto, a necessidade de mitigação dos entraves em prol da dimuição da escassez de água. Assim cabe ao Congresso nacional, mediante o aumento do percentual de investimento, o qual será proporcionado por uma alteração na Lei de Diretrizes Orçamentarias, ampliar a modificação das tubulações nos locais de tratamento de água, por meio de palestras ministradas por quimicos especializados em tratamento e distribuição de água, com o objetivo de informar as pessoas sobre seus direitos como cidadãos. Dessa forma, poderá ser concretizada a ‘‘Utopia’’ de Mores na sociedade brasileira tranformando assim a canção do exílio, de, ‘‘minha terra tem palmeiras, para, nossa terra tem palmeiras’’.