Impactos da escassez da água no século XXI
Enviada em 02/09/2021
Graciliano Ramos, em Vidas Secas fala sobre a vida de Fabiano e sua família em relação a falta de água no sertão nordestino. Além disso, o autor retrata o descaso social e a exploração humana perante a seca. porem, mesmo após décadas da publicação dessa obra, o cenário de escassez hídrica ainda existente no século XXI. Isso vem do consumo extremo contemporâneo que é responsável por grande gasto de água. Dessa forma, o uso em excesso desse recurso leva a sua falta e contribui para a situação de miséria e fragilidade social do homem. Em 1 plano, o conceito de água virtual fala sobre o total desse líquido usufruido desde o início da produção de algo até chegar ao ponto de venda. Desse modo, é possível saber que, por exemplo, para produzir uma calça jeans são calça calça 11 mil litros de água. Assim, percebe-se que o consumismo pertuba diretamente para a escassez hídrica devido ao elevado gasto na produção de bens de consumo duráveis e não duráveis. Nesse sentido, o filósofo francês Lipovetsky defende que uma sociedade pós-moderna é organizada no hiperconsumo, isto é, a busca pela felicidade por meio do consumismo, sendo preciso, então, criar formas de sustentar e não apenas destruir os recursos naturais. Logo, são necessárias mudanças no sistema produtivo industrial para diminuir as chances de falta de água. Devido a esse consumo excessivo de água, o contexto de exploração humana em Vidas Secas, se torna fora do tempo. Na obra, a miséria causada pela falta de água, se junta a miséria imposta pela influência social representada pela exploração dos ricos proprietários da região. Na atualidade, essa exploração se destaca na indústria da seca. Esse termo remonta ao clientelismo, já que elites regionais manipulam a distribuição de água de acordo com o seu interesse político, comum no Nordeste. Dessa forma, a escassez hídrica em determinadas regiões abandonadas no Brasil afeta socialmente a população.