Impactos da escassez da água no século XXI
Enviada em 02/09/2021
O conceito água virtual foi apresentado pela primeira vez na década de 1990. O autor dessa concepção é o geógrafo estadunidense Tony Allan. Esta ideia diz respeito ao volume de água utilizado como recurso de algum bem ou serviço. Logo, por sua vez, essa noção demonstra que todos os nossos hábitos, de maneiras e intensidades diferentes, afetam o ambiente. Em âmbito nacional, a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) reitera que, apesar dos avanços, o Brasil consome cerca de 92% da água virtual global, devido a sua produção agrícola. Desta maneira, é possível afirmar que esta água é consumida indiretamente. E se faz necessária a discussão acerca dos impactos da escassez da água no século XXI.
Primeiramente, ressalta-se que a falta de saneamento básico é uma das principais adversidades. Entretanto, a questão antagônica está presente. Isto, pois, uma das principais metas determinadas pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas (ODS) é assegurar e tornar universal o saneamento. A partir disso, segundo a Agência Nacional de Águas (ANA) cerca de 16% da população brasileira, o que equivale a 35 milhões de pessoas não possuem acesso à água tratada no país, por motivos de inviabilidade e precariedade, no que se refere ao saneamento. Outrossim, a falta de tratamento, a salubridade e o descaso governamental implicam diretamente na perca de mais de 110 mil quilômetros quadrados de rios que se estendem pela nação, recebendo dejetos.
Em segundo lugar, outro problema que leva à escassez de água é a poluição e degradação das reservas hídricas. Em tese, a água doce é a promotora da maior parte de nossas atividades. No entanto, a intervenção do homem, cada vez mais árdua ao decorrer da história faz com que haja a diminuição dessa fonte substancial. Ademais, a poluição é, sobretudo, o principal aspecto que restitui a inutilização dos rios. No que concerne à degradação do solo, ela prejudica os aquíferos e reservas subterrâneas, promovendo a intoxicação destes. Por conseguinte, em locais que a higienização ambiental não é propícia, a tendência do quadro é se potencializar drasticamente.
Impende, portanto, a atuação de órgãos competentes por meio de ações governamentais. Primeiro por parte do Ministério do Meio Ambiente que deve promover uma fiscalização e controle mais intensos, bem como adesão a multas mais severas a empresas que descumpram tais limitações regulamentadoras. No que diz respeito à ONU, este órgão deve, de forma incessante, estimular o debate em relação a esta temática, com a finalidade de atingir progressos ambientais significativos nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda de 2030. Dessarte, a população, em escala global, compreenderá que a água é um bem inestimável e findável.