Impactos da escassez da água no século XXI
Enviada em 02/09/2021
Em um de seus poemas, Carlos Drummond de Andrade cita: “Tinha uma pedra no meio do caminho”, metaforizando os desafios que impedem o pleno desenvolvimento do bem-estar social. Correlativamente, no Brasil hodierno, os impactos da escassez de água configuram-se como obstáculo na conquista legítima do bem-comum, uma vez que esse descuido acarreta na falta de assistência para necessidades básicas e piora na condição de saúde dos cidadãos. A partir disso, é válido inferir que a lenta mudança de mentalidade da população, bem como a omissão governamental, estão entre as principais premissas agravantes desse quadro.
É inevitável, em primeiro aspecto, observar o desperdício de água por parte da população, que dificulta ainda mais o acesso em comunidades carentes. O recurso hídrico deve ser preservado por todos, com o fito de assegurar a mínima condição de subsistência da vida na Terra. Sob essa ótica, cabe resgatar o “Princípio da Corresponsabilidade Inevitável”, do psiquiatra Augusto Cury, o que diz que toda ação individual gera um impacto coletivo, ou seja, o desperdício de água gera a escassez, que por sua vez impacta diretamente na economia, sociedade e produção de energia elétrica no país. À luz dessa ideia, é crucial o empenho de toda comunidade para auxiliar os mais de 30 milhões de brasileiros que se encontram em estado de água potável inacessível, segundo o Instituto Trata Brasil.
Outrossim, as autoridades públicas não têm dado a devida importância para o assunto, visto que há escassas tentativas, por parte desse órgão, de propugnar esse obstáculo. Nesse sentido, de acordo com filósofo renascentista Rousseau, o Contrato Social estabelecido entre público e privado requer a participação de ambos na obstrução das mazelas sociais. Questões desse tipo auguram indolência do Estado. Assim sendo, faz-se necessária a ação governamental na luta contra a falta de água para a população, com o intuito que todos tenham esse recurso básico, que não mais o falte em nenhum lar do território nacional.
Torna-se improtelável, portanto, descontruir problemas e propor medidas solutivas. Em vista disso, cabe às ONGs relacionadas a projetos comunitários, por meio das redes sociais – detentoras de grande abrangência nacional -, criarem ficções engajadas, as quais divulguem sempre a importância da preservação da água. É fundamental, analogamente, que o Congresso Nacional - instituição de poder máximo estatal -, em parceria com a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico, que é responsável por implantar a Política Nacional de Recursos Hídricos, crie melhores condições de tratamento de água em domicílios e hospitais. Somente assim conseguir-se-á retirar a “pedra do caminho” citada por Drummond.