Impactos da escassez da água no século XXI

Enviada em 30/08/2021

Policarpo Quaresma, protagonista de Lima Barreto, tem como característica mais marcante um nacionalismo ufanista, acreditando em um Brasil utópico. Entretanto, o descaso com a escassez da água no século XXI, torna o país ainda mais distante do imaginado pelo personagem. Nessa perspectiva, seja pelo consumo excessivo, seja pelo uso exacerbado do recurso na agricultura, o problema permanece silenciosamente afetando grande parte da população e exige uma reflexão urgente.

Em primeira análise, deve-se destacar que o consumo excessivo corrobora de uma forma intensiva para o entrave. Desse modo, observa-se que maus hábitos como banhos demorados, lavagem de carro e calçadas com mangeuiras acarretam no desperdício de água e esse consumismo interfere diretamente para a escassez hídrica. Nesse sentido, o filósofo francês Lipovetsky defende que a sociedade pós-moderna é organizada no hiperconsumo, isto é, a busca pela felicidade por meio do consumismo, sendo preciso, então, criar formas de sustentabilidade e não apenas destruir os recursos naturais. Logo, são necessárias mudanças no sistema produtivo industrial para minimizar as chances de falta de água.

Ademais, vale ressaltar o uso exacerbado da água na agricultura como impulsiomador do problema. De acordo com a FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura), 70% de toda água consumida no mundo é destinada para o setor, sendo a irrigação o insumo que mais desperdiça. Diante de tal exposto, é notório que a água ultilizada em projetos de irrigação é perdida por fenômenos como a evaporação. Sendo assim, é preciso que o setor agrícola, também se conscientize acerca da necessidade de inserção de técnicas de irrigação mais sustentáveis.

Portanto, fica evidente a necessidade de medidas para reverter a situação. Nesse viés, o Governo Fedeeal deve estimular a economia desse recurso, para tanto deve-se implantar a água de reuso nas indústrias e residências, por meio de parcerias do Ministério do Meio Ambiente e das Secretarias Municipais para a construção de obras de infraestrutura para a aplicabilidade da água de reuso, água proveniente de indústrias e até do esgoto doméstico, imprópria para consumo mas que pode ser tratada. Da mesma forma, poderá ser usada na irrigação e em descargas de vaso sanitário nas residências, a fim de minimizar a captação desse recurso na natureza, além de aumentar a disponibilidade de água potável, sobretudo nos locais em que a sua distribuição é desigual e negligenciada. Assim, a realidade descrita por Policarpo Quaresma, finalmente, aconterá, de fato, no Brasil.