Impactos da escassez da água no século XXI
Enviada em 31/08/2021
Segundo o filósofo Émile Durkheim, a sociedade é um organismo vivo em homeostase, no qual todas as partes são afetadas pelo mau funcionamento do “organismo social”, altamente dependentes da sua conservação para existir. Todavia, a tentativa do distanciamento dessa realidade pelo coletivo contribui para a perpetuação da exploração exagerada e despreocupação com os mananciais, refletindo a necessidade da criação de políticas públicas efetivas para solucionar essa adversidade.
Mormente, a relação humana com a natureza é drasticamente alterada mediante a exploração e contaminação desenfreada dos recursos hídricos, motivadas pelo estopim da máquina capitalista consolidada pela Revolução Industrial, no século XVIII. Nesse viés, a ausência de fiscalização e tratamento adequado em detrimento do lucro de grandes corporações provoca a degradação de reservas aquíferas. Não obstante, a defasagem do modelo de produção industrial implica no desperdício e consequente exiguidade de água potável, demonstrando a inescrupulosa atuação do Estado ao assistir apenas a classe economicamente dominante.
Outrossim, embora a obtenção de avanços na preservação de recursos hídricos – como a proibição do uso de bacias hidrográficas e discussões políticas sobre formas de reutilização do recurso – faz-se imprescindível a sensibilização social para a prevenção do acúmulo de lixo em terrenos fluviais. Consoante ao pensamento de Gilberto Dimenstein, expresso na obra “Cidadão de papel”, a configuração somente teórica dos direitos e deveres civis é comprovada pela dissipação nociva e consumismo descomedido global, resultado da junção de um governo inobservante à Constituição Federal e uma nação despreocupada com a conservação ambiental geral.
Destarte, urge a mobilização homogênea do Ministério do Meio Ambiente e Instituições de ensino na promoção da preservação dos recursos naturais, por meio de palestras escolares com encenações dinâmicas que demonstrem como evitar desperdício em situações cotidianas, no intuito de construir uma sociedade mais consciente desde a formação básica e erradicar a poluição da água por lixo urbano. Ademais, o governo deve subsidiar a criação de um selo sustentável, multando indústrias não aderentes a essa política limpa e persistam em lançar dejetos em rios e lagos, utilizando o dinheiro arrecadado na restauração de áreas ambientalmente impactadas. Desse modo, os direitos e deveres civis possivelmente se concretizarão, como sugere Dimenstein.