Impactos da escassez da água no século XXI

Enviada em 03/09/2021

Policarpo Quaresma, protagonista de Lima Barreto, tem como característica mais marcante um nacionalismo ufanista, acreditando em um Brasil utópico. Entretanto, os problemas ocasionados pela escassez hídrica tornam o país ainda mais distante do imaginado pelo personagem. Nessa perspectiva, seja pela poluição dos recursos hídricos, seja pela falta de medidas públicas que incentivam a economia de água somado a falta de consciência da população em relação alto consumo, o problema permanece silenciosamente afetando grande parte da população e exige uma reflexão urgente.

Em primeira análise, é necessário destacar que esse sonho de um Brasil perfeito está distante do Brasil real, visto que a poluição dos rios e de outros mananciais leva o país de encontro a essa concepção idealizada por Quaresma. Com isso, é válido ressaltar, também, que o estado atual de fontes hídricas como o Rio Tietê vai ao desencontro dos objetivos do desenvolvimento sustentável propostos pela ONU. Segundo a ONU, os 17 objetivos têm como meta o equilíbrio dos três pilares do desenvolvimento sustentável -social, econômico e ambiental- e a relação interligada entre cada um deles. Nesse caso, um dos preceitos diz respeito à água potável e saneamento, porém com o descarte indevido de lixo e esgoto isso não ocorre uma vez que a população é desinformada a respeito dos prejuízos ambientais que tais ações causam no meio ambiente.

Nesse contexto, é importante considerar, em segundo lugar, que a falta de consciência social é causa relevante para a resolução da questão. Nessa lógica, Karl Marx teceu diversas críticas sociais em relação à atuação governamental, em uma delas, afirmou que “não é a consciência social que determina o ser, mas o contrário, o ser social que lhe determina a consciência”. É notório, portanto, que o Poder Público tem a obrigatoriedade constitucional de conscientizar cada ser social, em relação a quaisquer temas, como em relação ao uso consciente de água. Desse modo, quando assim não se faz, torna-se inaceitável, principalmente por se tratar de um país constitucionalmente garantidor de direitos sociais.

Urge, portanto, que medidas sejam tomadas para resolver a problemática em questão. Diante disso, cabe ao Estado em conjunto ao Ministério do Meio Ambiente promover campanhas de conscientização da população a respeito do descarte correto do lixo e também a respeito da moderação do uso de água. A ideia é que, por meio de campanhas que incentivam a limpeza dos rios e propagandas na TV aberta que alertem sobre os perigos do alto consumo desse recurso hídrico e como sua economia afeta positivamente o bolso da população, o cidadão se sinta motivado a ser ecológico.