Impactos da escassez da água no século XXI

Enviada em 21/09/2021

Promulgada em 1948 pela Organização das Nações Unidas (ONU), a declaração dos Direitos Humanos garante a todos os indivíduos o direito à água potável e ao bem-estar social. Em contrapartida, o consumo abusivo dos recursos hídricos exclui uma parcela da população, que não consegue desfrutar desse direito, na prática, além de causar impactos sociais, econômicos e ambientais. Diante dessa perspectiva, o uso inconsciente e a falta de políticas públicas agravam a problemática.

Em uma primeira análise, deve-se ressaltar o desperdício como um obstáculo. Sob esse viés, segundo o Instituto Trata Brasil, quase 40% da água potável do Brasil é desperdiçada, quantidade que seria suficiente para abastecer mais de 63 milhões de brasileiros em um ano. Nessa lógica, a falta de manejo e uso sustentável dos recursos naturais afeta na produção de energia, indústrias, alimentos e no abastecimento direto de água. Desse modo, esse contexto acentua o abismo entre ricos e pobres e a escassez hídrica em países periféricos. Assim, a utilização consciente desse recurso é primordial para a qualidade de vida e desenvolvimento de uma sociedade.

Ademais, é fundamental apontar a ausência de políticas públicas como impulsionador da questão. Nesse âmbito, de acordo com o filósofo Thomas Hobbes, essa situação configura-se como uma violação da sua teoria de “contrato social”, já que o Estado não cumpre com o seu dever de garantir os serviços necessários para o bem-estar da população. Nesse sentido, observa-se uma negligência estatal em controlar e limitar os setores que mais consumem e desperdiçam água, dentre eles, a agricultura, a indústria e o uso urbano. Todavia, a carência de investimentos e medidas torna a resolução desse problema distante e contribui para a gravidade da situação e para a poluição e degradação das reservas hídricas. Logo é inadmissível que esse cenário continue a perdurar, visto que, conforme dados da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), a agropecuária é a atividade que mais consome água, responsável por 70% de toda a utilização realizada pelos seres humanos.

Dessa forma, medidas são necessárias para combater esse impasse. Para isso, cabe ao Governo, em parcerias com as mídias, realizarem a elaboração de uma campanha publicitária, por meio de anúncios transmitidos nos canais de televisão e mídias sociais, com o objetivo de explicar as consequências da falta, a importância e a forma para economizar esse recurso, além disso, deve-se promover obras para a distribuição desse líquido de maneira igualitária para todos, a fim de impedir os impactos da escassez e favorecer o acesso à água no Brasil. Portanto, se consolidará uma sociedade mais abrangente, em que o Estado desempenha corretamente seu “contrato social”, tal como afirma Thomas Hobbes.