Impactos da escassez da água no século XXI
Enviada em 11/11/2021
No filme “Mad Max”, é retratado um cenário pós-apocalíptico, no qual a água é um recurso exíguo e imprescindível. Nesse sentido, a trama explora as difíceis e restritas possibilidades de acesso da população a esse bem essencial. Hodiernamente, fora da ficção, é fato que muitos brasileiros, em razão da regular ocorrência de práticas erosivas, enfrentam situação semelhante, a qual suscita inúmeras consequências, como a deterioração do processo de geração de energia no país. Logo, são imperativas ações sociais e estatais na contenção dos impactos da escassez hídrica no século XXl.
Em primeiro plano, é imperioso salientar que a água é o elemento mais importante para a vida humana, pois regula não somente aspectos biológicos, mas também sociais e econômicos. Contudo, apesar de sua relevância, ações antrópicas, como o desmatamento e a poluição desenfreada, permanecem constantes e interferem diretamente no ciclo hidrológico da água, modificando o regime de chuvas e, consequentemente, a sua disponibilidade. Contrariamente a essa lógica, o artigo 225 da Constituição Federal preceitua que todos têm direito a um meio ambiente ecologicamente equilibrado, impondo-se ao Estado e à sociedade o dever de preservá-lo e defendê-lo para as futuras gerações. Assim, diante dos fatos apresentados, é necessário uma mudança de postura da corpo social no tocante a viabilizar o acesso ao bem mais precioso para a humanidade: a água.
Por conseguinte, pode-se analisar o forte impacto das ações antrópicas na deterioração do processo de geração de energia, haja vista que ao enfrentar uma situação de escassez hídrica, o Brasil- dependente do funcionamento de hidrelétricas- também enfrenta uma sobrecarga do sistema energético. A título de ilustração, a crise de 2001, ocorrida durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, representa uma das crises energéticas mais graves que o país já passou, na qual a escassez de chuvas e a dependência das hidrelétricas deixou diversas regiões, como o Nordeste, sob o risco de interrupção forçada do fornecimento de energia. Desse modo, faz-se urgente uma conduta de racionamento de água e de diversificação da matriz energética da nação verde-amarela.
Portanto, a fim de minimizar a ocorrência de ações erosivas, urge que as escolas e as famílias, instituições formadoras de opinião, invistam, por meio de palestras e seminários, no esclarecimento acerca dos prejuízos de práticas, como o desmatamento e a poluição, e no desenvolvimento de uma consciência reponsável acerca do uso da água. Somado a isso, compete ao Ministério de Minas e Energia a discussão sobre a diversificação da matriz energética brasileira, com o escopo de evitar futuras crises energéticas decorrentes da escassez hídrica. Somente assim, poder-se-á contribuir para que o drama narrado em “Mad Max” seja, em breve, apenas ficção.