Impactos da escassez da água no século XXI
Enviada em 22/09/2021
Segundo Ban Ki-moon, ex-secretário-geral das Nações Unidas, o ar que respiramos, o solo em que plantamos e a água a qual bebemos fazem parte de um ecossistema global, que, se não apropriado com prudência, extinguirá. Á vista disso, é sob o viés das queimadas, dos desmatamentos e da poluição dos corpos d’água, eclipsantes, por sua vez, do ciclo da vida, que se originou a escassez da água no século XXI, responsável pelos principais problemas econômicos da vigente sociedade, uma vez que afeta todos os setores de produção do globo. Assim, fazendo-se necessária uma análise da atribuição de um valor monetário ao recurso natural e da restrição ao acesso do mesmo, como os impactos centrais de sua carência.
Nesse contexto, é valido ressaltar, antes de mais nada, que se os indivíduos realmente estimassem este bem natural, ele não teria chegado a tal lástima. Diante disso, o escritor inglês, Thomas Fuller, pontua que as pessoas só sabem dar valor a algo quando o perdem, sendo um exemplo disso a água, tanto que, em quase todos os países subdesenvolvidos, apenas os ricos podem acessá-la, afinal como defendem os geógrafos como, por exemplo, Milton Santos: a escassez da água não representa o seu fim, mas sim a conversão do que antes era um direito, em um produto, que poderá ser consumido apenas por quem tem posses. Logo, fica evidente que as desigualdades sociais, que antes eram históricas, passaram a ser sistêmicas, visto que até os direitos fundamentais têm que ser comprados pelo homem.
Ademais, enquanto o Capitalismo lhe precifica um valor pela manutenção da vida humana, o seu acesso é sitiado pela ganância dos governos, que ao mesmo tempo que apoiam os causadores de sua escassez, também beneficiam os vendedores de seus produtos, desde os automobilísticos até os agrícolas, esquecendo quem mais precisa: a população carente. Edificando, dessa forma, o que a ativista ambiental, Greta Thunberg, mais temia: o holocausto ambiental pela corrupção estatal. Temor este que se encontra cada vez mais concreto, tendo em vista a eleição recorrente de presidentes como Jair Bolsonaro, que, segundo o Jornal da Folha, quando criticado pelos países a favor do meio ambiente, legitima que “todos têm o direito de fazer o que quiser com o seu próprio recurso natural”.
Destarte, sob a lógica da conscientização em prol da democratização do acesso à água, faz-se dever do Ministério do Meio Ambiente, por meio da elaboração de uma política pública, o compartilhamento igualitário do recurso natural, capaz de inibir a expropriação capitalista e a mitigação da preservação ambiental, tentando reestabelecer, dessa maneira, o equilíbrio natural defendido por Ban Ki-moon, normalizando, por conseguinte, a produção da água pelo planeta, acabando com a sua carência então.