Impactos da escassez da água no século XXI
Enviada em 01/10/2021
“Há água suficiente para satisfazer as crescentes necessidades do mundo, mas não sem mudar a forma de geri-lá”. A frase dita no Relatório Mundial da ONU (Organização Munidal das Nações Unidas) sobre o desenvolvimento dos recursos hídricos, realizado em 2015, entra em contraste com a realidade, uma vez que, o modelo de produção atual, baseado na exploração, e a ganância das grandes indústrias continuam sendo os principais empecilhos para a boa gestão da água no mundo. Sob essa ótica, é indispensável analisar os efeitos de tal impasse na conjuntura atual.
A princípio, cabe analisar que o modelo de vida atual, baseado no consumismo, desencadeia uma forma de produção exploradora. Acerca disso, é notável que as agroíndustrias, sistemas de alta produtividade que satisfazem a sociedade de consumo atual, demandam de forma intensiva da água, utilizando de forma abusiva os recursos naturais. Por consequência dessa sistematização capitalista, têm-se o esgotamento e a contaminação de corpos hídricos como lagos, rios e mares, e esse declínio gera disputas entre nações e empresas, como pode ser observado nas tensões atuais entre a China e a Índia devido esse fator. Desse modo, a indústria alimentar e o agronegócio provocam uma padronização alimentar de alto custo ambiental, gerando ações maléficas à natureza e causando conflitos sociais.
Outrossim, é válido ressaltar as manobras que as grandes corporações fazem para assumirem o controle da água dos países em desenvolvimento. Nesse sentido, no contexto atual, não é incomum ver a privatização de recursos naturais no mundo, como ocorreu com a empresa Nestle que ganhou vários processos para a exploração de rios, assim como a monopolização da distribuição de água potável engarrafada e precificada como os demais produtos. Esse fato pode ser observado no documentário “Ouro Azul”, onde é mostrado, entre outros aspectos, a manipulação e corrupção das corporações multinacionais, sendo os responsáveis pela crise hídrica. Dessa forma, prejudica-se não só o meio ambiente, como a distribuição justa desse líquido, aumentando-se a estratificação social.
Infere-se, portanto, que os impactos da escassez de água são de extrema relevância na contemporaneidade, logo, é preciso preserva-la. Para isso, é necessário que o Poder Legislativo reforce as leis de preservação já existentes, como a Política Nacional de Recursos Hídricos, que reconhece a água como domínio público, e crie outras leis que diminuam a exploração desenfreada, por meio de projetos que podem ser votados na Câmara, com o intuito de diminuir os impactos do agronégocio e das indústrias na natureza, diminuindo assim a escassez desses recursos. Assim, o discurso feito na ONU será concretizado na prática.