Impactos da escassez da água no século XXI
Enviada em 21/10/2021
A obra literária “Vidas Secas”, do nordestino Graciliano Ramos, retrata a história da miséria de uma família que é obrigada a atravessar o sertão para fugir da seca. Infelizmente, fora da ficção, e em cenário brasileiro, a carência de água também é uma realidade que afeta o cotidiano de muitos no século XXI. Certamente, entre vários fatores, a escassez ocorre devido ao seu uso impróprio nas cadeias produtivas, e impacta a saúde populacional.
Antes de tudo, vale ressaltar que a má gestão dos recursos hídricos na produção de bens de consumo gera um enorme desperdício. Conforme o geógrafo britânico Tony Alan, o conceito de “água virtual” se refere à implícita quantidade de água em bens, como tecnologias e roupas, e alimentos, como carne e soja, nos quais o recurso, apesar de não ser o produto final, esteve presente em sua fabricação. Observa-se, desse modo, que há uma elevada dissipação do patrimônio natural envolvida nos mais variados serviços, e que poderiam ser evitadas ou diminuídas, com o uso de tecnologias para a eficiência da irrigação da agricultura e outros produtos para confeccionar vestimentas, por exemplo.
Consequentemente, há uma exacerbada diminuição dos meios aquáticos que acarreta em prejuízos no bem estar social. Consoante à Organização das Nações Unidas, a água é direito humano, crucial para a manutenção da vida. Afinal, a sua ausência ocasiona em distúrbios fisiológicos como, desidratação, hepatite A, febres tifóides, cólera e parasitoses, uma vez que participa de reações químicas responsáveis pela homeostasia corporal e é essencial para o saneamento básico, isto é, acesso ao líquido potável para a limpeza dos alimentos, higiene pessoal e coletiva, que evita o desenvolvimento das doenças supracitadas. Nota-se, então, que a saúde humana é diretamente influenciada pelas posses hídricas.
Percebe-se, portanto, que medidas são necessárias para resolver o impasse. Logo, é fundamental que o Ministério do Meio Ambiente - órgão responsável por políticas ambientais - combata a escassez de água no Brasil. Isso ocorreria por meio de investimento em pesquisas científicas que visem a substituição do líquido na produção de utensílios materiais e a criação de tecnologias que otimizem e diminuam o seu uso no setor agropecuário, a fim de diminuir o desperdício. Ademais, também ocorreria medidas para a democratização do saneamento básico. Dessa forma, espera-se uma realidade distanciada da narração de Graciliano Ramos, em que todos tenham suas necessidades fisiológicas supridas pela água.