Impactos da escassez da água no século XXI
Enviada em 12/11/2021
Na obra literária “Cidadania no Brasil: O longo caminho”, o historiador José Murilo de Carvalho evidencia o árduo processo da construção do indivíduo como membro do Estado, o qual ele define o cidadão pleno pela titularidade de seus direitos e deveres. Todavia, na sociedade pós-moderna, os impactos da escassez de água, demonstração um desvio dessa posse. Tal problemática possui, infelizmente, como potencializadores a letargia estatal e uma lacuna na educação ambiental, aos quais devem ser mitigados em prol do desenvolvimento social.
Nesse viés, é oportuno analisar como uma ação governamental indiligente em promover uma segurança hídrica impacta profundamente não apenas os cidadãos hodiernos, mas suas gerações futuras. Sob essa ótica, apesar da Constituição Federal de 1988 ratificar o direito de uma equidade geracional do uso de um meio ambiente ecologicamente equilibrado, a ausência de políticas públicas satisfatórias vão de encontro com esse ordenamento jurídico. Dessa maneira, essa deficiência na operação do aparelho estatal se torna patológica e como pontuado por Michel Foucault, o papel do governo é maximizar o bem-estar do seu povo, logo, é primordial uma orientação jurisprudencial sobre os planos de preservação desse recurso.
Outrossim, em concordância com Paulo Freire - patrono da educação brasileira - em seu livro “Pedagogia da Autonomia” o sistema educacional deveria estimular o educando a buscar os valores sociais para o desenvolvimento global e harmonioso, além de dialogar com a natureza. Contudo, a educação tecnicista brasileira é baseada na memorização teórica, apesar da existência de temáticas ambientais, elas não são exercidas em sua totalidade, pois não possui uma abordagem social que aproxima o indivíduo da sustentabilidade real. Desse modo, é preciso abordar como a má democratização da água, bem como o controle de sua qualidade afeta as diversas esferas sociais, visto que é uma necessidade fisiológica e primordial na manutenção da vida humana.
Em suma, são funcionários que atenuem os impactos da carência de água na hodiernidade. Logo, a fim de promover maior discernimento a respeito da conservação e melhor gestão desse bem comum, competir ao Ministério da Educação associado ao Ministério do Meio Ambiente promover um Plano Nacional de Educação Hídrica, sob forma de Simpósios estaduais, direcionados a toda população, o qual debata formas de como evitar o desperdício de água, sua reutilização e os efeitos de seu esgotamento para seus descendentes. Para que dessa forma, os brasileiros podem gozar de seus direitos e cidadãos plenos como definido por José Murilo de Carvalho.