Impactos da escassez da água no século XXI

Enviada em 11/11/2022

O romance de 1938, Vidas Secaas, de Graciliano Ramos já tratava da seca do Nordeste como condicionante social e econômica da relação do homem com a natureza. Fabiano e sua família, que peregrinavam embaixo do sol, servem de demonstração sobre como,na condição de escassez,o ser humano é animalizado. Não distante da realidade do livro, alguns lugares do Brasil, como o Nordeste, e recentemente o estado de São Paulo, são motivos de preocupação e debate acerca da escassez de recursos hídricos.Percebe-se, diante disso, que a água, indispensável à vida, tem sido tratada com ênfase mercadológica e a temática da sua escassez é negligenciada.

Em primeiro plano, pode-se destacar a relação conflituosa entre homem e meio ambiente no século XXI. Distante da idealização da 1ª fase do romantismo, marcada por valorização e prestígio da terra, os interesses mercadológicos capitalistas imperam frente aos limites da exploração. Por consequência, ausência de chuvas, alteração dos climas e impactos no ciclo hidrológico são sentidos pela população brasileira. Isso se deve, entre outros fatores, ao aumento da chamada “água virtual”, aquela usada para confecção de produtos e criação de animais, por exemplo. Assim, com o intuito de produzir e lucrar, a natureza encontra-se em desequilíbrio.

Sob outro aspecto, há falta de educação ambiental nas escolas e na família. Desse modo, a tendência em acreditar na infinitude dos recursos torna as ações humanas inconsequentes, dado que a realidade de Fabiano não é plenamente interpretada pela maioria dos brasileiros que não sofrem diretamente com a escassez. Sendo assim, o distanciamento da temática torna o problema ainda mais sério, dado que pouco se discute sobre os impactos da seca para os brasileiros.

Portanto, urge que o Ministério da Educação em parceria com as mídias virtuais e televisas aborde sobre o tema da água com uma linguagem simples e acessível, a fim de atentar para a importância da sua preservação e de fomentar o debate nas escolas. Ademais, o Governo Federal deve fiscalizar e regularamentar o uso de água pelas indústrias, como forma de diminuir seu desperdício. Assim, a realidade vivida em Vidas Secas será menos comum no cotidiano dos brasileiros.