Impactos da flexibilização das leis ambientais brasileiras

Enviada em 03/10/2020

A natureza brasileira não deveria ser negociável. No entanto, o período colonial transformou o país numa empresa: o histórico português de explorar até mesmo a planta que dá nome ao território, passando por diferentes ciclos econômicos incluindo cana de açúcar, ouro, café e, atualmente, commodities, influencia a gestão contemporânea brasileira a ser dedicada completamente ao lucro, ignorando manejos adequados e o futuro da fauna e flora tão biodiversas. Indubitavelmente, as exportações são importantes para o produto interno bruto do país, além da geração de empregos para o mesmo, afinal, os latifundiários governam o país; o problema está no apoio governamental sob ações impertinentes desses grandes empresários.

O governo executivo atual já possui diversas consequências negativas, as quais destoam da proposta de sua eleição decisiva; a destruição dos biomas brasileiros não se inclui nesta categoria. O presidente já mostrou sua negligência com populações originárias e com biomas brasileiros sendo destruídos massivamente e ainda assim, por diversas razões, está no poderio do Brasil. Os impactos disso podem ser vistos na atualidade das queimadas do Pantanal, um dos biomas mais diversos do país e que costumava ser o mais preservado. Ainda que o governo não possua envolvimento com os focos de calor, a falta de posicionamento e ajuda ao local já mostram o quão difícil é a terra adorada não poder contar com seu filho que foge à luta.

Evidentemente, o agronegócio brasileiro possui poder nas decisões desse país: como já falado anteriormente, os grandes latifundiários  controlam as relações econômicas brasileiras. O lucro gerado pelas exportações brasileiras com produtos como carne e soja são gigantescos e tal geração de dinheiro deixa os mestres do capitalismo inconscientes sobre a ética, destruindo o patrimônio natural e cultural que poderia ser muito bem utilizado para outras funções sem que fosse completamente devastado, como o ecoturismo. 93% da Mata Atlântica já foi destruído e quase 20% da Floresta Amazônica está nesse processo. Quantos mais biomas serão desconsiderados?

O cenário atual é preocupante. Caberia ao Ministério da Agricultura o planejamento de um desenvolvimento sustentável, o qual, além de ajudar no crescimento do país, não faria a população sofrer com os diversos efeitos do desmatamento, como o efeito estufa, o aumento de temperaturas, a diminuição de oxigênio na atmosfera, enfim. A criação de leis para que o Brasil torne-se, de fato, um local preservado, seja por reflorestamento ou por contenção de danos é essencial. Mas para que isso seja possível, a consciência eleitoral da população também deve ser implantada, a fim de não deixar com que o autoritarismo e a propaganda enganosa destruam o Brasil.