Impactos da flexibilização das leis ambientais brasileiras
Enviada em 08/10/2020
No filme “O Lorax”, a personagem principal, Ted, vive em um local onde a natureza foi extinta devido à ganância humana. Contudo, retirando a utopia, a temática do filme assemelha-se a do cotidiano brasileiro, já que é cada vez mais recorrente a flexibilização de leis ambientais no país. Nessa perspectiva, apesar do discurso em prol da sustentabilidade ser amplamente comentado ao longo das gerações, a realidade se destoa desse conceito, fazendo com que o ecossistema chegue ao colapso. Sendo assim, esse quadro negativo é fruto da negligência governamental e da liquidez de valores civis.
Em primeiro plano, segundo o líder espiritual Mahatma Gandhi, a natureza existe para auxiliar as necessidades humanas, mas não as ambições. Nesse sentido, adaptando a máxima do autor à desregulamentação ambiental, fica claro que os grandes proprietários do agronegócio - em especial os componentes da bancada ruralista - possuem ideias voltadas inteiramente para o objetivo de maximizar os lucros, atendendo as demandas capitalistas, sem se importarem com o déficit gerado. Com isso, sem a íntegra inspeção do governo para com a legislação, as queimadas na Amazônia Legal, bem como o aumento do efeito estufa e a escassez da biodiversidade são cada vez mais comuns, favorecendo os latifundiários, mas colocando o desenvolvimento sustentável em segunda análise.
Paralela a essa visão, a relação sociedade e ecologia também está em destaque, já que, de acordo com a teoria da Modernidade Líquida, do sociólogo Zygmunt Bauman, os cidadãos, por serem individualistas, acabam perdendo valores e princípios. De fato, a população carece de visões sustentáveis, não consumindo informações que tendam ao pensamento coletivo de preservação, o que ocasiona no apoio à flexibilização das leis. Dessa forma, sem a consciência dos impactos negativos gerados pelo descuido com o ambiente, somado ao individualismo e à negligência governamental, as dificuldades de conservação da natureza e de regulamentação das diretrizes são elevadas.
Diante do exposto, medidas são necessárias para minimizar esse quadro negativo. Logo, cabe ao Ministério do Meio Ambiente a tarefa de fiscalizar os latifundiários e os ruralistas, por meio da restauração de leis já vigentes - aprovada pela Câmara dos Deputados -, as quais multem os proprietários de terras que ultrapassarem as demarcações das áreas resguardadas, à vista de impedir queimadas clandestinas e a perda da biodiversidade. Ademais, compete ao Ministério da Educação o dever de inserir, desde o âmbito infantil, o sentimento de coletividade, por intermédio de palestras - ofertadas em horários letivos pelos professores de biologia e sociologia -, as quais exemplificarão a importância da preservação e das leis que protegem o ecologismo, com o fito de formar o senso crítico sobre às questões. Assim, espera-se que a história de “O Lorax” não adentre à nação verde-amarela.