Impactos da flexibilização das leis ambientais brasileiras

Enviada em 08/10/2020

Em 2005, o Pantanal Brasileiro bateu o recorde de focos de incêndio em seu território, entretanto, segundo um levantamento feito pelo professor Pedro Luiz Côrtes, da Escola de Comunicações e Artes e do Programa de Pós-Graduação em Ciência Ambiental do Instituto de Energia e Ambiente da USP, atualmente, o número de incêndios é 440% maior que a média dos últimos anos, principalmente comparado aos índices de queimas que ocorreram de 2010 à 2019. Entre os dias 1° de maio e 1° de setembro do ano passado, ocorreram 2.502 focos. Este ano, durante o mesmo período de tempo, foram registrados 8.501.

Sendo uma enorme tragédia à flora e fauna brasileira, as queimas são as tristes consequências de duas principais questões: a negligência do Ministério do Meio Ambiente e sua estrutura de fiscalização e também devido à questão climática peculiar, com uma seca muito forte, provocada pela transição entre os fenômenos El Niño e La Niña, que favorece a proliferação do fogo, que devastou o bioma que se encontra entre o Mato Grosso do Sul e o Mato Grosso.

Analisando as atividades fundiárias ocorrentes no Pantanal, podemos perceber várias práticas que ocasionaram nos danos ao meio ambiente e o desinteresse em sua preservação. Por exemplo, as áreas de maior altitude onde estão as nascentes dos rios que abastecem o Pantanal muitas vezes alagam o território, por isso, os lugares a montante e mais altos são mais aptos para a agricultura. Porém por estarem próximas às nascentes, muitos produtos agrotóxicos acabam descendo pelos rios e afluentes, contaminando a água que somado ao desmatamento da mata ciliar, causam um grave problema a hidrográfica da área, portanto, essas ações antrópicas geram uma seca e um dano severo ao bioma. As queimadas na Amazônia, o bioma situado ao norte, colaborou com o vapor em todo sul da América, influenciando principalmente nas ações pluviais do Pantanal, que com uma menor quantidade de chuva somado aos fenômenos climáticos, provocou um aumento do calor e da seca no território, ocasionando no surgimento das chamas. O fogo no Pantanal, supostamente surgiu sem uma ação direta do humana, porém foi uma consequência de seu descaso com o meio ambiente e sua falta de preservação à natureza.

Em suma, na atualidade, o mínimo a ser feito é a contenção do fogo e a tentativa de salvar a fauna e flora ali localizada, tomando os cuidados necessários, por meio de uma maior supervisão das áreas florestais, para que futuramente não volte acontecer tais tragédias. Porém os 150 mil quilômetros quadrados, lar de onças, jacarés e centenas de outras espécies de animais, continuará sofrendo por culpa das ações tomadas pelos homens.