Impactos da instabilidade política no Brasil
Enviada em 28/05/2020
Na obra " A República", Platão demonstra uma alegoria de homens presos em uma caverna, os quais enxergavam as sombras projetadas, ou seja, não possuíam uma visão objetiva dos fatos. Nessa lógica, é importante analisar os impactos da instabilidade política no Brasil, com o intuito de a sociedade não ecoar o mito da caverna de Platão sobre tal assunto. Essa situação, desse modo, evidencia a não consonância perante os deveres constitucionais dos líderes políticos e a realidade exposta, além de fomentar crises em outros setores.
Em princípio, o filósofo Henrique de Lima, no Enigma da Modernidade, relatou que, apesar de a sociedade ser avançada em suas razões teóricas, é primitiva em suas razões éticas. Nesse sentido, pode-se realizar um paralelo entre a Constituição Cidadã- a qual estabelece que os políticos devem, sobretudo, manter um ambiente equilibrado para o desenvolvimento da nação- e a realidade, a qual revela uma instabilidade política, seja pela negação do presidente sobre os efeitos da Covid-19, vírus da pandemia atual, sejam pelas acusações de intervenção presidencial na polícia federal, como consta o noticiário midiático, por exemplo. À vista disso, percebe-se, intuitivamente, uma falta de consonância ante os deveres estabelecidos na Carta Magna e a realidade factual, notadamente, concernente à postura do presidente da república.
Outrossim, no Período Regencial, a instabilidade política foi responsável por deflagar diversas revoltas, que assolaram o Brasil, como a Farroupilha, a Cabanagem, a Balaiada e a Sabinada, as quais tiveram impactos no ordenamento econômico da época. Na Ditadura Militar, por sua vez, a instabilidade política do Milagre Econômico, devido aos desvios de verbas públicas para a realização de obras Faraônicas, corroborou com uma crise econômica, tanto que os anos 80, do século passado, ficaram conhecidos como a década perdida. Dessa forma, é tácita que os impactos da instabilidade política fomentam crises, as quais sobrepujam o cenário político.
Portanto, é mister que o Estado mude o quadro atual. Nessa perspectiva, para a conscientização do Poder Executivo referente aos deveres constitucionais, é fundamental que o Poder Legislativo desenvolva palestras, com a finalidade de que o comportamento presidencial não viabilize uma instabilidade política. Ademais, é necessário, para a realização dessas palestras, a utilização de expositivos com os deveres constitucionais, como também relacionar crises políticas, mediante a fatos históricos, com as crises financeiras. Feito isso, atenuar-se-á essa questão no tecido social pós-moderno.