Impactos da instabilidade política no Brasil
Enviada em 29/05/2020
Émile Durkheim em seu livro “A divisão do trabalho social”, introduz o termo anomia: um estado da sociedade em que as instituições sociais encontram-se fragilizadas, facilitando o surgimento de crises e guerras - as chamadas patologias sociais. Neste sentido, o atual cenário brasileiro de instabilidade exemplifica o conceito durkheimiano: a condução política vigente, tem agravado a crise não só econômica, mas social da qual o país se recuperava. Desta forma, mostra-se necessário a análise das atitudes governamentais assim como seus impactos para o indivíduo e sociedade.
O Brasil vinha se recuperando nos últimos anos da crise enfrentada em 2008, da qual gerou uma diminuição do número de investimentos por conta da inconfiabilidade da economia brasileira, refletindo em problemas como a alta do dólar. De forma semelhante, as atuais decisões do governo encaminham o Brasil para o mesmo cenário de recessão, exemplificada por atitudes como: a tentativa de interferência do presidente da república na Polícia Federal, denunciada pelo ex-ministro da Justiça, Sergio Moro. Este ambiente repercute para possíveis acionistas:instabilidade e insegurança, condicionando a retirada dos investimentos e a consequente retomada da crise econômica. Ademais, a postura de despreocupação do governo frente ao enfrentamento da pandemia do COVID-19, corrobora para a má repercussão da liderança brasileira.
Indubitavelmente há impactos na população brasileira. As patologias sociais de Durkheim são originadas do momento de crise, em que o indivíduo, incrédulo das instituições das quais faz parte, vê-se num ambiente sem regras. Este estado de anomia, impulsiona o surgimento das diferentes formas de violência: o aumento do desemprego, a consequente marginalização e violência urbana, além dos problemas derivados destes, como a intensificação da desigualdade social. Desse modo, assim como nos demais problemas, a população periférica é a que mais sofre com a desestruturação das instituições se reconhecia, ficando à mercê de si próprios.
Urge portanto, a necessidade do Ministério da Economia tornar o território nacional mais atrativo para acionistas, mediante investimentos em fatores locacionais - como construção de rodovias, incentivos fiscais e propagandas - propiciando de certa forma também, um impulso na economia do lugar. Outrossim, o cabe ao Ministério da Educação fornecer uma mão de obra qualificada, através de cursos profissionalizantes gratuitos, oferecidos fora do horário de trabalho, afim de atingir um maior número de pessoas. Desta forma, o estado anômico pode ser revertido.