Impactos da instabilidade política no Brasil

Enviada em 05/06/2020

O que a ascensão do Nazifascismo, a imposição de Ditaduras Militares ou a expansão do Estado Islâmico guardam em comum? São regimes que subiram ao poder a partir da instabilidade na política nacional. No Brasil, os impactos dessa fragilidade não estão encerrados ao setor administrativo do país, pois refletem danos a economia e a população. Assim, fatores como a falta de articulação entre os Três Poderes e o desconhecimento da Constituição pelo próprio cidadão intensificam os quadros de crise.

Primeiramente, a instabilidade política gera retrocesso para toda a sociedade. Charles Montesquieu, filósofo iluminista, afirma que para haver equilíbrio na nação é necessário diálogo entres as esferas políticas. Entretanto, o que se observa no cenário brasileiro atual é um confronto entre os Poderes quando, por exemplo, o próprio Chefe de Estado fomenta discursos e gestos em apoio a manifestações antidemocráticas, como o fechamento do Congresso e da Suprema Corte. Esse cenário gera, por exemplo, desconfiança para investidores estrangeiros e nacionais que, devido ao elevado mal-estar social, optam por retirarem capitais investidos no país e realocá-los. Essa descapitalização aumenta o esvaziamento dos cofres públicos, gera altas taxas de desemprego, corte de obras, insegurança e falta de perspectivas de superação das dificuldades, o que intensifica o clima de caos social.

Concomitantemente, essas instabilidades políticas podem perdurar ainda mais quando a própria população se abstém do debate. Dessa forma, o desconhecimento da Constituição é um perigo para a sociedade e se materializa nos tristes episódios em que o cidadão aceita discursos autoritários ou faz apologias a grupos supremacistas raciais, como ocorrido no Brasil. Embora renomados filósofos, como Adela Cortina, tenham disseminado a importância do conhecimento das leis pelo indivíduo para gerar maior harmonia, vemos pessoas na contramão desse ideal ao pedir intervenção militar, por exemplo. Isso revela o despreparo de autoridades do Executivo em contornar a instabilidade política que reverbera nas camadas populares de todas as classes sociais e fragmenta a coesão social.

Portanto, é evidente a necessidade de superação do conflito político no Brasil e cabe ao Executivo, Legislativo e Judiciário dialogarem e se articularem melhor. Para isso, esses Poderes devem elaborar estratégias de relações mais eficazes para minimizarem as instabilidades e atenuar os impactos gerados pelas divergências políticas a fim de protegerem toda a nação, como  a priori aceitar a regulação e fiscalização dos limites de um poder pelo outro. Para além, o cidadão deve exercer seu papel de cobrar essa harmonia, de modo a respeitar a Carta Magna e refutar qualquer iniciativa supremacista e autoritária que tendem a ascender em fases de instabilidade política, como ocorrida em episódios sombrios históricos da humanidade.