Impactos da instabilidade política no Brasil
Enviada em 17/06/2020
Os impactos da instabilidade política no Brasil ecoam por toda sociedade, e geram vítimas como efeito colateral. Um exemplo é a corrupção, que provavelmente mata mais que a violência, basta analisarmos que as condições do SUS deveriam ser muito melhores, já que os imposto pagos são superiores ao de países com melhores serviços de saúde pública.
A expectativa de esclarecimento em torno da divulgação do vídeo da reunião ministerial de 22 de abril acabou não confirmando a intervenção do presidente e de deputados. Essa é a manifestação da maioria dos advogados e juristas que se pronunciaram até o momento. O que ficou evidente foi a perplexidade de toda a população sobre palavrões, pronunciamentos e acusações genéricas que apenas demonstram opiniões pessoais, sem valor jurídico, como todos esperavam. Esses conflitos causaram queda dos juros e do dólar no País.
A exposição pública do vídeo demonstrou que alguns ministros precisam de compromisso com a liturgia do cargo que ocupam, evitando manifestações com linguajar chulo e sem fundamento jurídico, apenas rompantes raivosos contra órgãos da Justiça e apelando para metáforas quanto ao desmatamento. O presidente manifestou desejo de interferir na atuação de órgãos para obtenção de informações oriundas da Polícia Federal, mas não é possível presumir que o tenha feito para prejudicar trabalhos de investigação.
O importante agora é restabelecer a serenidade e a pacificação entre Poderes. Uma crise política sempre é negativa. Nas atuais circunstâncias, torna-se ainda mais danosa para todo o País. Dada a profundidade da crise econômica e o caráter instável da política brasileira se discute quem governa, o capital consegue avançar sua ofensiva e ditar a agenda de governo. Por outro lado, os trabalhadores estão reagindo a essa ofensiva e aumentando a resistência às reformas. O êxito da greve geral chamada pelas centrais sindicais no dia 28 de abril, durante o mandato do ex-presidente Temer, conseguiu frear parcialmente a tramitação das reformas e provocou excisões no bloco dominante. Ainda que insuficiente para barrar a aprovação da reforma trabalhista, parece indicar o caminho possível para barrar a ofensiva do capital e, a partir daí, criar uma política que atenda aos interesses da maioria trabalhadora.