Impactos da instabilidade política no Brasil
Enviada em 02/07/2020
Corrupção. Crise de representatividade. Formação de extremos. Em uma era de grandes inovações tecnológicas, o retrocesso em áreas sociais ainda é grande, confirmando a teoria de Ortega y Gasset sobre quanto mais desenvolvida a sociedade, maiores os problemas. Sendo assim, por reflexo de um passado onde a oligarquia dominava, discute-se, portanto, os impactos da instabilidade política.
Aristides Lobo é autor de uma frase definitiva para entender a participação da população no período de transição da monarquia para a república velha: “O povo assistiu aquilo bestializado, atônito, surpreso, sem conhecer o que significava”. Isso evidencia uma das causas da instabilidade política: nunca houve participação popular, nem mesmo na própria proclamação da república, instaurando a famosa e contraditória “democracia”, que seria o poder nas mãos do povo. Como cita Gilles Lipovetsky em sua obra “Sociedade da Decepção”, as pessoas criam frustrações por não suportarem as desigualdades, e, isso leva a um impacto positivo da instabilidade política: a busca por caminhos alternativos e a reação da população em manifestações populares, como o Comício dos Diretas já, reivindicando as eleições para presidente novamente; o Movimento dos Caras Pintadas, em 1992, com objetivo de conseguir o impeachment do Collor; os protestos contra o aumento da passagem, em 2013, e a greve dos caminhoneiros, em 2018.
Todavia, impactos negativos também são vistos: as crises de representatividade, gerando consequências como o discurso de ódio, a propagação de fake news e a formação de extremos, marca principal desse período vivenciado. Muitos esquecem da empatia pelo próximo e do principal objetivo, o progresso da nação, e focam em seus próprios interesses. Um acontecimento importante da história, mostra que é possível deixar as diferenças políticas de lado para o bem da nação. A Revolução Francesa, em 1798, em que jacobinos e girondinos (esquerda e direita) se uniram e conseguiram destronar o rei absolutista Luís XVI.
Fica evidente, portanto, que os impactos da instabilidade política geram consequências sérias. Entretanto, como citado, uma das consequências positivas é a busca por caminhos alternativos. Cabe ao poder público incentivar as escolas, faculdades e prefeituras municipais a criarem eleições para representantes de turma, de bairros e de ruas, com a finalidade de todos se familiarizarem com o voto e aprenderem a exercer esse direito desde cedo. É imprescindível o engajamento político dos jovens, a mídia como difusora do conhecimento, e claro, ações para acabarem com a corrupção. Nesse fator, é necessário o conjunto família, Estado e escola, com todos cumprindo seu papel fundamental como cidadão, pois como cita Aristóteles, o homem é por natureza, um animal político.