Impactos da instabilidade política no Brasil
Enviada em 19/07/2020
O sonho de estabilidade
O fim do Brasil Império, logo antes da virada para o século XX, foi marcado pelo desejo profundo de mudança. A população, insatisfeita com a crise econômica, com as desavenças entre o Imperador e a Igreja e com as brigas do governo com os militares, passa a apoiar o movimento republicano. Assim, o sistema é reconfigurado. Infelizmente, a República Velha não deu à nação a modernidade esperada e sim um período guiado por movimentos latifundiários seculares. Justamente por isso, Vargas foi muito bem recebido com o populismo, e, novamente, houve uma alteração no sistema. O povo sonha, mais do que com a salvação vinda de um governo messiânico, com a estabilidade dos setores, principalmente o político.
Uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV) de 2008 comprovou que o povo brasileiro é um dos mais esperançosos do mundo, tendo grandes expectativas de felicidade para seu futuro de forma geral. Sendo assim, quando há uma crise, seja econômica ou política, a população tende a olhar para o “diferente” e depositar suas confianças nele, esperando uma abordagem salvadora que cure o país. O esgotamento com a política tradicional - esta que gerou a Operação Lava-Jato e o impeachment de 2016 - levou os brasileiros a almejarem mudanças. Uma prova disso é a renovação de 85% dos membros do Senado nas últimas eleições.
A instabilidade política na qual o Brasil se encontra atualmente tem diminuído a credibilidade do país no cenário internacional, contribuindo inclusive para o afastamento de investimento externo. Empresas multi e transnacionais não têm interesse em manter relações com um lugar inseguro em relação à construção de seus mercados. Logo, a crise política de esquemas de corrupção, brigas entre Poderes e a descrença das instituições não afeta apenas a moral brasileira no cenário mundial, mas também causa prejuízo ao país.
Mediante a problemática, é importante enfatizar que a situação política (e consequentemente econômica) deve ser resolvida de imediato. O poder legislativo, mais especificamente o Congresso Nacional, deveria convocar um plebiscito (e divulgá- lo na mídia) que consultaria a população acerca da aprovação do governo, com o objetivo de tomar medidas de afastamento provisório do Presidente caso haja rejeição maior que de 60% do povo. Só com a verdadeira vontade da nação sendo cumprida é que há esperança de vencer essa crise de forma finalmente democrática e transparente.