Impactos da instabilidade política no Brasil
Enviada em 22/07/2020
“Meu partido é um coração partido” cantava Cazuza já na década de 1980 sobre a política brasileira. No contexto hodierno, principalmente face à pandemia do Coronavírus, o cantor teria licença poética para cantar o mesmo: a sensação de insatisfação para com o cenário político se perpetua. Visto como negacionista científico e pouco eficaz, o governo de Jair Bolsonaro carece de credibilidade no âmbito internacional, acarretando ao Brasil a imagem de país sem seriedade, pouco atrativo para investimento e sanitariamente perigoso.
A lógica brasileira na política sempre se pautou na demanda internacional. Para Kant, o indivíduo na menoridade é aquele que está preso à orientação de outrem e que não é capaz de sair da própria covardia para ser independente. Assim se teceu a diplomacia brasileira desde o Brasil Império até os dias atuais, permeada por uma dependência e abertura à interferência externa. Tal fato se comprova na semelhança do comportamento dos chefes de Estado dos Estados Unidos e Brasil, ambos obrigados judicialmente a usar máscaras durante a maior pandemia que o mundo já presenciou, concretizando o posto dos maiores líderes negacionistas da infecção viral.
Em segunda plano, concomitante às crises sanitária e política, o Brasil sofre um abandono ambiental decorrente dessa instabilidade. Foi registrado, no mês de maio, um aumento de 34% no índice de desmatamento na Amazônia. O pronunciamento do Presidente sequer esboçou preocupação com o assunto, declarando um completo descaso com a causa sustentável. Disse que “a locomotiva da nossa economia fará eco no mundo” quando indagado a respeito da imagem que o Brasil estava construindo ao permitir uma legislação tão flexível para o problema e não citou medidas mitigadoras.
Já no viés econômico, a credibilidade brasileira se mostra ainda mais comprometida. Sete das principais empresas importadoras de carnes e grãos do Brasil ameaçaram retirar 5 bilhões de dólares investidos no setor, caso medidas ambientais não entravem em vigor rigorosamente em defesa da Amazônia. Tal afirmação demonstra a fragilidade da principal atividade econômica brasileira que, extremamente dependente da demanda externa, pode acabar sendo alvo do governo que tanto preza por ela e seu desenvolvimento.
Dessarte, cabe ao Gabinete de Ministros junto ao Presidente do país, através de novas proposições de abordagens de temas como economia, saúde e meio ambiente adotar uma nova postura política. Por meio da promoção de atitudes exemplares, como uso da máscara em público e perseguição da sustentabilidade (por parte de políticas públicas) a credibilidade brasileira pode ser recuperada mundialmente. Assumir o erro e corrigí-lo é, portanto, preferível a lamentar suas consequências.