Impactos da instabilidade política no Brasil
Enviada em 23/07/2020
“O homem é o lobo do próprio homem”. Essa frase, do filósofo Thomas Hobbes, tematiza a instabilidade política no Brasil contemporâneo, uma vez que prova que, para alcançar seus interesses pelo poder, o homem tornou-se o seu próprio predador. Nesse contexto, estão inseridos impactos que ecoam em toda a sociedade em reflexo de uma má gestão política em território nacional. Entre eles, estão o decréscimo à qualidade de vida de toda a população e problemas na saúde pública. Mostra-se necessário, portanto, analisar a atual situação política brasileira e, a partir disso, promover possíveis soluções não apenas em relação à corrupção, mas ao descontrole na administração da economia.
Em primeira análise, a corrupção e desvio de verbas está longe de ser uma novidade para o brasileiro. Um estudo feito pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) projetou que até 2,3% do PIB nacional são perdidos por ano com práticas corruptas. A entidade destacou que, dessa forma, o custo elevado dessas ações ilícitas prejudica o aumento da renda per capita e compromete a possibilidade de oferecer à população melhores condições econômicas e de bem-estar social. Para Roberto Abdenur, diretor do Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (ETCO), o principal problema do Brasil é a falta de punição correta para esse tipo de crime. “Nos Estados Unidos, a média para que uma sentença em casos de corrupção saia é de um ano. Já no Brasil, esse tempo é de dez”, afirma.
Ademais, a saúde pública é afetada quando não se há uma base política estável. No que tange ao Brasil, a instabilidade política é flagrante e tem afetado bastante o desempenho da economia, bem como apontou o economista Álvaro Bandeira. “O SUS já passa por dificuldades imensas, com retração de investimentos. A crise dos estados e municípios tem repercutido no SUS, com fechamento de leitos hospitalares e unidades básicas” aponta Gastão Wagner, professor da Unicamp e presidente da Abrasco (Associação Brasileira de Saúde Coletiva). Em outras palavras, cortar recursos, em razão de desvios de verbas, por exemplo, implica em mortes que poderiam ser evitadas.
Portanto, para minimizar o problema em questão, o Poder Judiciário, o qual é responsável pelos julgamentos, deve focar-se em aplicar a diminuição da possibilidade de recursos em caso de acusação de corrupção, por meio do exercício do rito sumário – que prevê tal dificultação -, com o claro intuito de diminuir as formas pelas quais um político pode ludibriar a lei para manter-se em esquemas ilícitos. Logo, também será possível trazer vantagens para a saúde pública, uma vez que os desvios de verbas serão direcionados a investimentos para, por exemplo, melhores infraestruturas e recursos para este setor. Com esses posicionamentos, será possível garantir uma melhor qualidade de vida para a população brasileira.