Impactos da instabilidade política no Brasil

Enviada em 18/08/2020

Desde o início do século XX, a política brasileira manteve os anseios e vontades populares submissas aos interesses das elites, haja vista, a política do café com leite na década de 20, e o período da ditadura militar, iniciada nos anos 60, no qual concentrava todo poder político nacional. Visto isso, a democracia do Brasil está longe de cumprir o seu papel na sociedade, na promoção de maneira mais fidedigna os interesses dos eleitores. Dessa forma, ressalta-se a ausência de algumas minorias sociais no sistema político atual e o descrédito dos cidadãos para com os governantes.

Em primeira análise, vale salientar a população que vive à margem da sociedade, a qual é estigmatizada por uma fragilidade definida socialmente. Nesse âmbito, de acordo com o jornal Folha de São Paulo, em 2018, cerca de 54% dos brasileiros não votariam, caso não houvesse a obrigatoriedade da lei. Essa realidade torna-se evidente, já que uma parcela considerável da sociedade não se vê representados pelas ideologias empregadas por entidades governamentais, especificamente as minorias, compostas por: afrodescendentes, grupos indígenas, comunidades LGBTs e mulheres. Em consequência disso, nota-se o distanciamento e desinteresse do cidadão brasileiro na participação política.

Outrossim, a política brasileira vive elevada desaprovação perante a população, devido aos constantes indícios de corrupção expostos pelas mídias e autoridades fiscalizadoras. Nessa perspectiva, conforme o cantor Gabriel Pensador, numa de suas músicas, “A população lincha o rato de praia, mas perdoa o corrupto com a desculpa: ’ele rouba mas faz’.”. Sob tal ótica, percebe-se a ironia nessa canção, na qual retrata a banalização da corrupção e o descrédito do eleitorado com os seus representantes. Desse modo, contribui-se para a persistência desse tipo de atitude negativa na sociedade brasileira.

Portanto, são necessárias medidas planejadas para estimular o interesse da população para com a política. Para que isso ocorra, as entidades governamentais, em parceria com o setor privado, devem produzir debates comunitários abrangendo diferentes classes sociais e culturais, mediante temas propostos tanto pela comunidade local quanto por especialistas no assunto. Tais iniciativas devem ser divulgadas em mídias sociais e canais de TV abertos, com o objetivo de esclarecer com maior transparência a necessidade do engajamento político dos cidadãos a promoverem impactos nas decisões federais, estaduais e municipais. Por fim, segundo o filósofo Aristóteles, “o homem é por natureza um animal político”, dessa maneira, será possível maior conscientização da população acerca das decisões democráticas do país.